Guerra de Manuel Luís Goucha contra Eduardo Cintra Torres tem final surpreendente no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos
O apresentador processara o cronista por causa de um artigo de opinião em que Cintra Torres o criticava por ter atribuído um prémio de 10 mil euros ao próprio cunhado no programa 'Você na TV', da TVI.
Guerra de Manuel Luís Goucha contra Eduardo Cintra Torres tem final surpreendente no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos
Chegou ao fim a guerra de Manuel Luís Goucha contra Eduardo Cintra Torres. O apresentador processara o cronista por causa de um artigo de opinião, publicado em 2018, em que Cintra Torres o criticava por ter dado um prémio de 10 mil euros a Fernando Manuel Nunes, o irmão do marido, Rui Oliveira.
"Manuel Luís Goucha atribuiu um prémio de 10 mil euros a um cunhado ou amigo, irmão do companheiro. Fingiu não o conhecer quando com ele falou pelo telefone. O nome do passatempo de Você na TV! não poderia ser mais adequado: Quantos Queres. Dar prémios dos passatempos a amigos e familiares foi uma fraude muito habitual na RTP durante décadas. Pelos vistos, a coisa pegou e também se utiliza na TVI. Depois deste caso, qual a credibilidade que sobra a Goucha e aos passatempos da TVI?", questionava Eduardo Cintra Torres.
Eduardo Cintra Torres
Goucha apresentou uma ação cível, exigindo a Eduardo Cintra Torres 15 mil euros por danos morais. O cronista do Correio da Manhã foi inicialmente absolvido, mas acabou condenado na Relação ao pagamento de 10 mil euros.
"Inconformado, recorri ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Sempre com o apoio do Correio da Manhã e Medialivre", explicou Eduardo Cintra Torres.
Foi então que, antecipando-se a uma condenação do Estado, a representante do Governo português junto do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos emitiu, num caso inédito, uma Declaração Unilateral, reconhecendo ter havido a violação do direito à liberdade de expressão.
O Governo português disponibilizou-se então a pagar 19 mil e 100 euros: a devolução dos 10 mil euros, a que acresceram 6 mil e 200 euros por danos morais e 2 mil e 500 euros pelas custas e despesas com os procedimentos legais.
Depois de cobertas as despesas suportadas pela Medialivre com o processo, o remanescente foi agora doado à Instituição Semear, que trabalha na inclusão socioprofissional de jovens e adultos com Dificuldade Intelectual e do Desenvolvimento.
"Fomos até às últimas consequências porque a liberdade de expressão, de opinião e de imprensa está acima de qualquer valor", disse Carlos Rodrigues Diretor Geral-Editorial do Correio da Manhã e CMTV.
Eduardo Cintra Torres e Carlos Rodrigues estiveram na Semear, em OeirasFoto: Luís Manuel Neves
"A vitória no Tribunal Europeu não foi só minha e do CM, foi de todos os que usufruem da liberdade de expressão e opinião em Portugal, jornalistas, comentadores e cidadãos", acrescentou Cintra Torres.