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Homenagem

O que é feito de Margarida Carpinteiro? "Está viva. Retirou-se para a aldeia onde nasceram os pais..."

Durante anos, Margarida Carpinteiro fez parte da vida dos portugueses através de personagens inesquecíveis. Hoje, a atriz vive longe dos holofotes, numa aldeia da Beira Baixa
Ana Cristina Esteveira
O que é feito de Margarida Carpinteiro? "Está viva. Retirou-se para a aldeia onde nasceram os pais..."
Margarida Carpinteiro
Margarida Carpinteiro
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Margarida Carpinteiro

Margarida Carpinteiro marcou várias gerações de portugueses com personagens no teatro, no cinema e na televisão. Mas há uma que continua especialmente presente na memória de quem acompanhou a primeira novela portuguesa, 'Vila Faia': Mariette, a mulher que viveu uma história de amor com João Gudunha, personagem interpretada por Nicolau Breyner.

É precisamente essa atriz que Luís Osório recorda num texto em que revela a admiração que sente por Margarida Carpinteiro. “É uma das minhas atrizes preferidas”, escreve o escritor e cronista no seu habitual 'Postal do Dia', lembrando uma carreira feita de “muitos papéis, várias personagens, trágicas e cómicas”.

Apesar de ter dado vida a “dezenas de mulheres” e de ter interpretado personagens com diferentes nomes, há uma que permanece especial para Luís Osório. “Não consigo desligar-me de Mariette”, confessa. E há uma razão para isso. A personagem de 'Vila Faia' conseguiu provocar reações fortes num país que acompanhava a novela com enorme atenção. “Lembras-te de Mariette? Do que ela nos fez?”, pergunta o também jornalista, recordando as discussões que a relação com João Gudunha provocava.

Luís Osório faz questão de lembrar que Margarida Carpinteiro está viva e afastada da exposição que marcou grande parte da sua carreira. Vive em Vales, na freguesia de Cardigos, na Beira Baixa, a terra onde nasceram os pais e onde encontrou uma vida mais próxima daquilo que hoje considera essencial. “Isolou-se com os seus animais e fantasmas”, conta o escritor.

Foi também ali que Margarida conheceu Amílcar, o homem com quem viria a partilhar mais de cinco décadas de vida. O casal conheceu-se quando ambos eram jovens, numa altura em que Vales ainda era uma pequena aldeia marcada pelo cheiro a resina e pela natureza. “Amílcar, um bocadinho mais velho e Margarida cheia de vontade de fazer coisas, mas sem saber se poderia um dia ser atriz”, escreve o cronista.

Os dois acabariam por partir para Lisboa e casar-se. E foi na capital que o destino profissional da atriz começou a ganhar forma. Um dia, Margarida encontrou um panfleto na rua. Anunciava um curso de iniciação teatral no Instituto Italiano. Para Luís Osório, aquele encontro não foi um acaso: “Um panfleto colocado por um anjo enviado por um Deus maior”.

“Foi o princípio de uma história”, escreve. A carreira que se seguiu levou Margarida Carpinteiro aos palcos, ao cinema e à televisão, passando por diferentes universos do teatro português, do Parque Mayer à Cornucópia. Hoje, a atriz vive longe desse mundo. No ano passado, perdeu Amílcar, vítima de cancro, depois de mais de 50 anos de vida em comum.

Luís Osório termina a sua homenagem sem esquecer aquilo que Margarida Carpinteiro representa para si: “A história de uma das minhas artistas preferidas.”

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