Antes de Tiago Craveiro ser referido na 'Carta Aberta' de Cristiano Ronaldo, o seu nome já circulava na polémica que envolve o capitão da Seleção e Jorge Jesus. Tudo depois de um amigo do selecionador o ter acusado de fazer chegar uma mensagem ao círculo próximo do treinador. Carlos Padrão, antigo guarda-redes e amigo de Jorge Jesus, falou sobre o caso na SIC Notícias e apontou o dedo a Tiago Craveiro, consultor estratégico da holding de Cristiano Ronaldo. Segundo o seu relato, o antigo dirigente da Federação Portuguesa de Futebol terá contactado alguém próximo do selecionador para exigir um pedido de desculpas público a Cristiano Ronaldo.
“Ou faz um pedido de desculpas público a abrir a conferência de imprensa ou vai cair, vai ser demitido”, afirmou Carlos Padrão, referindo-se à alegada mensagem transmitida por Tiago Craveiro. O próprio esclareceu que o contacto não terá sido feito diretamente com Jorge Jesus.
Esta acusação surgiu poucas horas antes de Cristiano Ronaldo publicar a sua versão dos acontecimentos. E é na 'Carta Aberta' do futebolista que Tiago Craveiro volta a aparecer, desta vez num episódio contado pelo próprio capitão da Seleção. Depois do jogo com a Noruega, Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus terão voltado a conversar sobre o que tinha acontecido. Segundo Ronaldo, ficou combinado que o selecionador explicaria publicamente a situação antes do encontro com a Dinamarca.
A pedido de Jorge Jesus, realizou-se depois uma reunião por videoconferência com Simão Coutinho e Tiago Craveiro. Cristiano Ronaldo explica que nessa conversa foi resumido aquilo que tinha sido combinado entre ele e o treinador. Dessa reunião saiu um documento que o jogador diz ter validado antes de ser entregue ao selecionador. O texto reunia oito pontos e, entre outras coisas, estabelecia que Ronaldo nunca tinha exigido jogar um determinado número de minutos e que tinha aceite o plano apresentado por Jorge Jesus. Incluía ainda o reconhecimento, por parte do treinador, de que tinha sido um erro colocar o jogador a aquecer frente à Noruega sem depois o lançar em campo.
O documento, contudo, não chegou a ser lido na conferência de imprensa como Cristiano Ronaldo esperava. Foi precisamente essa diferença entre aquilo que, segundo o jogador, tinha sido combinado em privado e o que aconteceu depois que levou à rutura e à saída de Ronaldo do estágio.
Mas voltemos a Tiago Craveiro, o homem de confiança do capitão da Seleção? O seu percurso está ligado há muitos anos ao futebol português. Foi diretor-geral da Federação Portuguesa de Futebol durante cerca de uma década, sob a presidência de Fernando Gomes, depois de ter passado pela Liga Portugal. Deixou a FPF em 2022 e passou pela UEFA como conselheiro estratégico.
No final de 2023, Tiago Craveiro passou a exercer funções como consultor estratégico da CR7, S.A., a holding de Cristiano Ronaldo. É nessa qualidade que surge agora nas reuniões relacionadas com a polémica entre o jogador e Jorge Jesus.
O nome de Tiago Craveiro acaba, assim, por aparecer em duas versões diferentes da mesma história. De um lado, a acusação de Carlos Padrão, que fala numa alegada pressão para que Jorge Jesus pedisse desculpa publicamente. Do outro, o relato de Cristiano Ronaldo, que confirma a participação do consultor numa reunião destinada a pôr por escrito o que tinha sido acordado com o selecionador. Tiago Craveiro ainda não falou publicamente sobre estas acusações.