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Pintainhos, coelhos e até um marsupial fofinho: conheça os 7 animais que são os verdadeiros donos da Páscoa

O coelho é o rei, mas não governa sozinho. Do "vilão" da Austrália à raposa que esconde ovos na Alemanha, revelamos os 7 animais que dão vida à Páscoa, e alguns vão deixá-lo surpreendido.
Por FLASH! | 05 de abril de 2026 às 09:05
páscoa
páscoa Foto: Pixabay

Sabia que, em algumas partes do mundo, quem traz os ovos de Páscoa não é um coelho, mas sim uma raposa ou até um cuco? Pois é, a fauna da Páscoa é muito mais variada do que as prateleiras dos supermercados deixam transparecer. Se quer saber como é que o cordeiro, o pintainho e o coelho ganharam o seu lugar no pódio das festividades, este artigo é para si.

1. O Coelho

Afinal porque é que o coelho é ainda hoje o principal símbolo da Páscoa? A resposta é simples, e talvez um pouco óbvia para quem conhece a espécie: fertilidade. Antigamente, na Europa, a Páscoa coincidia com a chegada da primavera. E o coelho, sendo um dos primeiros animais a sair da toca e a reproduzir-se a uma velocidade estonteante, tornou-se o símbolo perfeito do renascimento e da vida nova.

Já a lenda do coelho que traz ovos veio da Alemanha no século XVI. E conta-se que o animal decidia se as crianças tinham sido bem comportadas antes de lhes deixar os ovos coloridos nos seus "ninhos". 

2. O Pintainho (e o Ovo)

Pintainho
Pintainho

O pintainho aparece sempre nas decorações, normalmente a sair de uma casca de ovo. E, tal como o coelho, ele representa o nascimento. Embora hoje em dia o foco seja o chocolate, os ovos de galinha foram os protagonistas durante séculos. Na Quaresma, era proibido comer ovos, por isso as pessoas coziam-nos para os conservar e, no Domingo de Páscoa, ofereciam-nos decorados. Já o pintainho a sair da casca tornou-se a metáfora visual perfeita para a vida a romper o "túmulo" do inverno.

3. O Cordeiro

Cordeiro
Cordeiro

O cordeiro é o elemento mais ligado à vertente religiosa. Na tradição judaica (a Pessach), o sacrifício do cordeiro era o ponto central da celebração que marca a libertação do Egito. Para os cristãos, a figura fundiu-se com a de Jesus, frequentemente chamado de "Cordeiro de Deus". Ou seja, ele é o símbolo máximo da paz, pureza e inocência.  

Do ponto de vista da natureza, o cordeiro é o símbolo perfeito da primavera. É nesta altura do ano que os campos se enchem de crias a saltitar. E antigamente, num mundo sem supermercados, o borrego era uma das primeiras carnes frescas disponíveis após o longo e rigoroso inverno, onde as pessoas sobreviviam apenas à base de conservas e carnes salgadas.

Em termos práticos, em Portugal, o borrego ou o cabrito acabaram por saltar do campo para a mesa, sendo o prato principal de muitas famílias nesta época festiva.

4. O Bilby 

Bilby
Bilby Foto: Wayne Lawler/AWC

Enquanto o resto do mundo adora o coelho, na Austrália ele é visto como o "vilão" da história. Introduzidos pelos colonos europeus, os coelhos reproduziram-se sem controlo, destruindo colheitas e roubando o habitat de espécies nativas. Por isso, neste país, o símbolo da Páscoa é o Bilby

O Bilby é um marsupial fofinho, de orelhas longas (parecidas com as do coelho), nariz pontiagudo e uma cauda elegante com a ponta preta e branca. Nos anos 90, biólogos e conservacionistas lançaram uma campanha inteligente: "Porque é que celebramos com um animal que destrói o nosso ecossistema quando temos um nativo tão ou mais fofinho?".  A ideia pegou e, hoje, as grandes superfícies australianas vendem Bilbies de Chocolate. E parte das receitas das vendas reverte para fundos de conservação para salvar o Bilby real, que é uma espécie em perigo de extinção.  

5. O Cuco 

Cuco
Cuco

Na Suíça, especialmente em partes da Suíça alemã (como o cantão de Berna), o Cuco tira o coelho do palco e assume a responsabilidade de entregar os ovos de Páscoa. A Suíça é famosa pelos seus relógios de cuco, por isso, talvez não seja surpreendente que o pássaro tenha acabado por entrar na mitologia das festas. Mas há razões mais profundas (e naturais) para esta escolha. 

O cuco é uma ave migratória. O seu canto característico ouve-se pela primeira vez no final de março ou início de abril, coincidindo perfeitamente com a Páscoa. Para os suíços de antigamente, o som do cuco era o "despertador" que anunciava oficialmente o fim do inverno e o regresso da vida aos Alpes

Biologicamente, o cuco tem uma certa reputação. É conhecido por pôr os seus ovos nos ninhos de outras aves. Embora na natureza isto seja um comportamento de "parasitismo", na tradição popular suíça isto foi adaptado de forma fofinha: o cuco é o "especialista em ovos" que sabe onde escondê-los para que as crianças os encontrem.

6. A Raposa

Raposa
Raposa

Antes do Coelho da Páscoa consolidar o seu monopólio global no século XIX, a Alemanha era um autêntico "zoológico" de entregadores de ovos. A Raposa da Páscoa (Osterfuchs) era a grande rival do coelho, especialmente na Baixa Saxónia e na Westfália.

As raposas são conhecidas pela sua inteligência e por serem animais furtivos. A ideia de que uma raposa passava silenciosamente pelos jardins durante a noite para esconder ovos coloridos alimentava o mistério da "caça aos ovos" matinal. Alguns folcloristas sugerem ainda que a cor avermelhada da raposa era associada ao sol e ao calor que regressavam na primavera. 

Com o passar do tempo, o coelho acabou por ganhar a guerra do marketing, por ser um animal mais dócil e associado à fertilidade. 

7. A Cegonha

Cegonhas
Cegonhas

Se pensarmos bem, a cegonha tem o currículo perfeito para o cargo. Se já tem a fama de entregar bebés, entregar ovos de chocolate parece bastante simples. A cegonha é uma ave migratória que regressa da África para a Europa exatamente no final de março ou início de abril. O seu voo majestoso sobre as aldeias era o sinal biológico de que a primavera tinha chegado. Para os antigos, se a cegonha voltava, a vida recomeçava, e a Páscoa é precisamente sobre isso.

A par disso, ter um ninho de cegonha no telhado era (e ainda é) considerado um sinal de grande sorte e proteção para a casa. Assim, a "Cegonha da Páscoa" trazia não só guloseimas, mas também a bênção de um ano próspero para toda a família.

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