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Polícia, bens apreendidos e droga à porta. Banqueiro Horta Osório em tribunal à conta de ex-inquilino francês

António Horta Osório anda em maré de azar. Não lhe basta a saída do Credit Suisse, agora ainda é réu de um processo em tribunal de um ex-inquilino francês que o acusa de lhe ter feito um despejo ilegal com "arresto de bens", no valor de mais de cem mil euros. O banqueiro acha que o lesado é ele. E explica porquê. Toda a história sem fim à vista.
João Bénard Garcia
João Bénard Garcia
03 de fevereiro de 2022 às 22:55
António Horta Osório
António Horta Osório
António Horta Osório, Ana Cristina Solano
António Horta Osório, Ana Cristina Solano
António Horta Osório, Ana Cristina Solano
António Horta Osório, Ana Cristina Solano
António Horta Osório
António Horta Osório
António Horta Osório
António Horta Osório
António Horta Osório
António Horta Osório
António Horta Osório
António Horta Osório, Wendy Piatt, amante
António Horta Osório
António Horta Osório, Ana Cristina Solano
António Horta Osório
António Horta Osório, Ana Cristina Solano
António Horta Osório, Ana Cristina Solano
António Horta Osório, Ana Cristina Solano
António Horta Osório, Ana Cristina Solano
António Horta Osório
António Horta Osório
António Horta Osório
António Horta Osório
António Horta Osório
António Horta Osório
António Horta Osório
António Horta Osório, Wendy Piatt, amante
António Horta Osório
António Horta Osório, Ana Cristina Solano

António Horta Osório, 58 anos, despediu-se do conceituado banco Credit Suisse há poucas semanas por, alegadamente, ter violado, de forma grosseira, as regras suíças da quarentena contra a Covid-19. Mas se acha que a "maré de azar" acaba aqui, está enganado. A estrela da banca mundial está envolvido num processo em Portugal que envolve arrestos de bens. E porquê? Tudo por causa de um negócio privado de imobiliário que ele e a mulher, a farmacêutica Ana Cristina Solano Polena da Costa Pinto, de 57 anos, fizeram em março de 2015.

THE MAG assistiu à última sessão de julgamento em que o ex-banqueiro e a mulher são réus e revela este caso ao pormenor: dos contornos do negócio ao pedido de indemnização de centenas de milhares de euros por Lucien Cohen, um consultor financeiro francês que foi inquilino do casal Osório e afirma ter descido dos céus ao inferno.

António Horta Osório
António Horta Osório

Um caso que se transformou numa dor de cabeça gigante para o inquilino gaulês... e para o senhorio famoso português.

Ora vamos lá andar para trás, até março de 2015, o mês e o ano em que o ainda-não-inquilino Lucien Cohen se apaixonou pela antiga residência oficial da família Horta Osório, em Portugal.

Vista de Santa Catarina, Lisboa
Vista de Santa Catarina, Lisboa Foto: getty images

SANTA CANTARINA, 'MON AMOUR'

Lucien, um cidadão francês que nasceu na Tunísia há 61 anos e se apresenta como "divorciado" e "dirigente de sociedades financeiras", apanhou a boleia das notícias que, há 7 ou 8 anos, anunciavam o nosso país como um verdadeiro paraíso para endinheirados. Em março de 2015, Lucien, um homem com olho para esta oportunidade de negócio dourado, entra em contacto com a imobiliária Travessia Azul, Mediação Imobiliária, e pede que esta lhe reserve, para visita, cinco imóveis na zona adjacente à praça Marquês de Pombal, no coração de Lisboa, para poder escolher para arrendar.

Lucien acaba por não se enamorar por nenhum dos apartamentos nas imediações da avenida da Liberdade, a artéria do luxo na capital, mas visita, através da mesma imobiliária, um duplex sumptuoso, com terraço, na rua de Santa Catarina, entre a Bica e o Bairro Alto, com vista aberta e direta para o rio Tejo e a vizinhança da estátua do Adamastor.

Adamastor, Lisboa
Adamastor, Lisboa Foto: getty images

O francês, habitante do 16.º bairro de Paris, fica rendido ao tamanho da casa e à vista desafogada sobre o rio Tejo em Lisboa. Só que esta paixão terá um preço... que o francês não demorou muito até perceber qual era.

Em tribunal, o consultor francês, que se tornou por 10 mil euros mês inquilino em Portugal do casal Ana e António Horta Osório, revela agora as razões porque sentiu ter arrendado "gato por lebre".

"Visitei a casa e era muito bonita. Percorri as assoalhadas do imóvel, estive no terraço, mas, infelizmente, não tinha eletricidade e por isso não percebi se o elevador da residência funcionava ou não", conta, explicando mais adiante no seu depoimento em tribunal a surpresa que o esperava quando conseguiu, depois de muitas peripécias, ligar o quadro elétrico.

"Mostrei interesse pelo arrendamento e a imobiliária disse-me que o proprietário era uma pessoa muito importante e que queria conhecer a pessoa que ia arrendar a casa. Fiz uma videochamada com o senhor Horta Osório e percebi quem ele era", conta o ex-arrendatário, que, independentemente do dono da casa ser o nosso "CR7 da banca", não hesitou em assinar o contrato de arrendamento.

Só que as dores de cabeça começaram logo no dia seguinte. "O imóvel estava desabitado há três anos e ninguém me disse que teria problemas em conseguir restabelecer a energia", descreve, relatando que demorou três semanas até conseguir desembrulhar o imbróglio. E com uma cunha valente. "Tive que pedir ao meu advogado para marcar uma reunião com o presidente da Fundação EDP para resolver o problema e só então consegui ter eletricidade na casa e deixar o hotel onde tive que viver, mesmo estando a pagar renda da habitação", salienta.

Foi ao ter energia no duplex que Lucien Cohen percebeu duas coisas: que o tal elevador afinal subia e descia à velocidade de um monta-cargas; e que não tinha acesso a gás no esquentador e estava impossibilitado de tomar banho ou aquecer as divisões. O senhorio Horta Osório aceitou intalar-lhe, um mês depois de assinar contrato, uma caldeira létrica e o problema ficou sanado. Só que não era o único…

Santa Catarina, Bairro da Bica, Lisboa
Santa Catarina, Bairro da Bica, Lisboa Foto: getty images

SANTA CATARINA, 'MON TERREUR'!

Convencido a arrendar o imóvel com o sonho de que a zona, além de nobre, era sossegada, Lucien também não demorou muito tempo até perceber que estava (ou tinha sido) enganado.

"O prestígio e a localização da casa eram perfeitos para o meu objetivo de trazer a Lisboa investidores ricos e alojá-los na habitação, antes de lhes apresentar oportunidades de negócios em Portugal", declara, revelando porque desistiu dos seus intentos: "Não reparei que na parte lateral do imóvel estava a ser instalado um hotel, com obras ruidosas; dei conta que no largo em frente à casa havia um ponto de tráfico de droga e que os sanitários públicos fechavam às 17 horas e as pessoas urinavam e defecavam muitas vezes na entrada da garagem do meu prédio. Eu entrava com o carro a pisar fezes e o cheiro dentro da garagem era insuportável."

Turistas no Bairro da Bica, Santa Catarina, Lisboa
Turistas no Bairro da Bica, Santa Catarina, Lisboa Foto: getty images

RENDA CANCELADA, ARRESTO NA HORA

O francês acabou por não usar o apartamento do senhorio Horta Osório para atrair e hospedar clientela gaulesa rica e, em finais de 2016, denuncia o contrato e deixa de pagar a renda!

Ora, sentindo-se lesado na qualidade de proprietário, o ex-banqueiro aciona os mecanismos de proteção dos senhorios e pede em 2017 ao tribunal o arresto dos bens que o inquilino ainda tinha no imóvel. E estala a guerra!

"Eu não queira guerras e fiquei triste com tudo isto. Foi insuportável o que passei na casa", declara Lucien, apesar de assumir que, com bom comercial da finança, ainda tentou intermediar a compra da habitação entre os donos do hotel contíguo e António Horta Osório, mas reconhecendo que "o senhorio recusa-se a vender a casa".

Sem rendas a cair na conta do casal Horta Osório e uma ação de despejo ativada, a polícia, com ordens do tribunal, arresta o recheio do francês e leva tudo o que encontra: quadros, candeeiros e mobílias.

Resultado: ao tribunal, o consultor financeiro quer que lhe paguem 80 mil euros pelos bens. O responsável pelo arresto declarou que os bens que encontrou não valem mais do que três mil euros. Em tribunal, Lucien Cohen declarou ter perdido em recheio da casa "mais de 100 mil euros". 

António Horta Osório
António Horta Osório

Só que ao contrário do que diz o francês - não querer guerras - a verdade é que estas já existem. Afinal, o ex-banqueiro e a mulher não cedem e o inquilino não desiste do processo contra o senhorio. Os bens continuam num armazém à guarda do Estado e, entretanto, passaram-se cinco anos.

Entretanto, Lucien disse ao tribunal que saiu de Portugal "descontente" com todo o episódio. Vamos ver como se sentirá quando perceber como funciona a via sacra da justiça. 

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