A jornalista Pilar Urbano teve o privilégio de conhecer alguns dos pensamentos mais íntimos da rainha Sofia. Encarregada de escrever a biografia da mãe de Felipe VI, Pilar passou longos períodos na companhia da monarca e, depois de tantas conversas e visitas, as duas acabaram por criar uma relação de amizade. No entanto, o resultado final da obra acabou por não agradar à família real espanhola.
Nas conversas que manteve com a jornalista, Sofia abordou vários temas polémicos, entre eles o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o aborto e a eutanásia. Mas houve também espaço para assuntos mais pessoais, como aquilo que gostaria que acontecesse depois da sua morte.
Foi durante uma dessas conversas que Pilar questionou a rainha sobre o seu funeral e se gostaria de ser enterrada. A resposta de Sofía surpreendeu: "Ah, não, não… Que se resolvam eles! Isso já não vai ser problema meu! Que façam comigo o que quiserem".
Apesar da resposta, a rainha tinha, afinal, uma preferência. "Quando eu morrer, não me vão perguntar que tipo de funeral quero, mas, se me deixassem escolher, preferiria que me cremassem e espalhassem as minhas cinzas pelo Mediterrâneo e pelo Mar Egeu", revelou.
A escolha não surge por acaso. Apesar de ter passado grande parte da vida ligada à monarquia espanhola, Sofía nunca escondeu as suas raízes gregas e a profunda ligação ao Mediterrâneo. "Sinto-me cem por cento mediterrânica. Cem por cento! E cada dia mais!", afirmou à jornalista.
A biografia 'La Reina muy de cerca' foi publicada em 2008 e gerou uma enorme polémica na altura devido às opiniões atribuídas à monarca sobre vários temas. No livro, Sofía surgia como sendo contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a eutanásia e o aborto. Perante a exposição, a Casa Real espanhola viu-se obrigada a reagir e a esclarecer que as declarações publicadas não correspondiam totalmente às posições da rainha.
A obra acabou por surpreender o público pela forma pouco habitual como expôs os pensamentos da monarca. Habitualmente reservada em aparições públicas, Sofía raramente se alongava em declarações, limitando-se muitas vezes aos agradecimentos.
As conversas com Pilar Urbano permitiram, por isso, conhecer uma faceta mais pessoal da rainha, que durante muitos anos viveu na sombra do marido, Juan Carlos I. Sofía manteve-se em silêncio perante muitos dos acontecimentos da sua vida privada e foi educada para não demonstrar os sentimentos em público.
"A verdade é que fui educada desde pequena para não chorar em público. E, em privado, também não sou chorona… Não sou chorona nem mole", confessou à jornalista.
A entrevista acabou por revelar uma mulher muito diferente daquela que o público estava habituado a conhecer: reservada, discreta e habituada a guardar para si aquilo que pensa e sente.