Estefanía Knuth, a companheira de 53 anos de idade de Isak Andic, o fundador da Mango, que terá sido assassinado aos 71 anos pelo filho primogénito, Jonathan, de 45 anos, em finais de 2024 durante uma caminhada na Serra de Montserrat, nos arredores de Barcelona, revela que Isak tinha intenções de fazer um novo testamento que mudaria tudo dentro da clã, reduzindo grandemente a percentagem da herança destinada aos três filhos e criando uma fundação benemérita.
Testemunha no 'Caso Andic', como é conhecido na imprensa e entre as autoridades policiais espanholas a misteriosa morte de Isak, Estefanía avançou perante uma magistrada de Martorell, em Barcelona, ter sugerido que o pai e o filho Jonathan se submetessem a terapia psicológica para ultrapassarem os seus complexos atritos pessoais. O que aconteceu e com relativamente bons resultados.
O testemunho de Estefanía Knuth era um dos mais temidos pela defesa de Jonathan Andic pois a mulher que foi sua madrasta durante os últimos seis anos de vida do pai foi das primeiras pessoas a lançar suspeitas sobre a morte do companheiro, que entretanto passou de um mero acidente num trilho para um homicídio perpetrado por Jonathan, que terá empurrado o pai e provocado a sua queda e morte.
Estefanía já tinha garantido antes às autoridades policiais que as relações entre pai e filho eram más, e tinha sublinhado que Isak tinha intenções de reduzir a posição dos filhos Jonathan, Judith y Sarah na herança e, com essas centenas de milhões, criar uma fundação benemérita, segundo lhe confidenciou o multimilionário.
A madrasta foi uma peça fundamental para a polícia perceber o puzzle desta morte estranha. Se inicialmente deram crédito ao testemunho de Jonathan, de que o pai tinha escorregado e caído num barranco com 100 metros de profundidade, tendo tido morte imediata, o testemunho de Estefanía ajudou a reabrir o caso e a desvendar uma dos maiores escândalos entre os multimilionários do país vizinho que em maio passado resultou na prisão preventiva do herdeiro. As discussões constantes entre Isak e Jonathan, descritas pela companheira do primeiro, deram luz à busca de novas pistas na investigação: Isak caiu ou foi empurrado por Jonathan? Uma acumulação de indícios foram examinados e considerados válidos pela juíza encarregue da investigação.
A mulher revelou que a relação entre pai e filho era muito instável, com picos e crises de confrontos, nomeadamente por causa da sucessão à frente dos destinos da Mango. A guerra entre pai e filho durava desde, pelo menos, 2014. Nesse ano Isak voluntariamente deixou o filho a gerir os negócios da multinacional de moda para dar a volta ao Mundo no seu veleiro de super luxo Nirvana Formentera. A viagem foi interrompida um ano depois pois a companhia estava a cair a pique nos lucros e atravessava uma grave crise de tesouraria. O filho Jonathan, entretanto afastado pelo pai e pelo conselho administrativo sentiu-se ferido no seu orgulho e nunca perdoou o ato do progenitor.
Estefanía Knuth, durante o seu testemunho, adiantou que foi sua a ideia de pai e filho se submeterem a terapia, bem como outros membros diretos da família, para melhorar a relação entre todos. A amante de golfe amador recomendou mesmo os serviços de Julia L., uma terapeuta equatoriana de origem alemã focada em psicanálise, que gere conflitos de forma sigilosa em algumas das famílias mais ricas de Barcelona. A terapia chegou a acontecer e, segundo a madrasta, a relação melhorou significativamente.
Só que em confidencias de casal, Isak terá confessado a Estefanía que queria ver o filho afastado da Mango a partir de 1 de janeiro de 2025, uma decisão que ia tomar após o passeio que estavam a fazer a dois nos trilhos da Serra de Montserrat. Fontes próximas da equipa diretiva garantem que a saída de Jonathan estava a ser preparada há um ano antes da tragédia que vitimou o fundador. Em causa está uma fortuna avaliada em mais de cinco mil milhões de euros que beneficia os filhos e colaboradores mais próximos. A Estefanía Knuth caberá uma fatia de 70 milhões de euros e alguns imóveis.