Estávamos em 2003 e Filipe Gaidão era, então, um dos nomes mais mediáticos do hóquei em patins em Portugal, tendo protagonizado a transferência do ano do Benfica para o Porto. Foi nessa altura, enquanto estava de férias, que o impensável aconteceu. O craque encontrava-se a nadar na piscina de casa, para manter a forma no descanso, quando sofreu um acidente que por pouco não foi fatal.
"Fiz uma piscina, fiz duas e quando dou com os pés atrás na piscina bato com a cabeça de lado. Lembro-me de ficar apagado e de não conseguir vir para cima porque não conseguia mexer nada, fiquei tetraplégico. Até que na altura o meu cunhado se apercebeu que eu estava há muito tempo no fundo e conseguiu-me tirar. Se isso não acontecesse, então tinha sido mais trágico ainda", contou o antigo atleta ao podcast 'Ontem Já era Tarde'.
Na altura, Filipe era casado com Paxi Canto Moniz que à época descreveu a situação como um incidente traumático, que deixaria marcas para a vida. " O meu irmão salvou-lhe a vida por instinto. Quando o vi com o Filipe às costas pensei que estavam a brincar, só que depois vi que ele estava roxo, tinha estado desmaiado na água. O meu irmão (Filipe Canto Moniz) aplicou-lhe os primeiros socorros e ele recuperou a consciência ao fim de algum tempo, mas não mexia os braços nem as pernas. Não sei se foram horas ou minutos..."
O diagnóstico dos médicos era alarmante e não deixava muita margem à esperança. "Fiquei tetraplégico durante três meses, os médicos diziam-me que nunca mais ia andar, mas felizmente consegui reverter essa situação e continuar."
Acabado de assinar pelo FC Porto, Gaidão lembrou ainda a postura de Pinto da Costa, que esteve incondicionalmente ao seu lado.
"Eu vou para o Porto sem me mexer e o que o presidente Pinto da Costa me disse foi: 'a única coisa que quero é que fiques bem como homem. Meteu-me tudo o que era possível à disposição par eu recuperar como pessoa: chauffer, clínica..."