Desde dia 1 de novembro de 2003, quando o então príncipe Felipe anunciou o noivado com a 'plebeia' Letizia Ortiz, a futura rainha de Espanha perdeu automaticamente a liberdade de ir onde e com quem quisesse... para sempre.
A partir de então, Letizia sacrificou a sua presença em momentos importantes para a sua família e amigos, como casamentos, aniversários ou funerais. O exemplo mais recente foi o enterro do jornalista Fernando Ónega, na passada terça-feira. Apesar de ser muito próxima de Fernando e uma das melhores amigas de Sonsoles, filha do jornalista, Letizia não esteve com a família num dia tão significativo.
María José Gómez-Verdú, especialista em protocolo e etiqueta, explicou exatamente o que se esconde por detrás destas decisões.
"Em termos formais, a presença de um membro da família real num evento privado, mesmo que de significado pessoal, transforma automaticamente a natureza do evento", começou por dizer à 'Lecturas'.
"A presença da rainha não é neutra: implica medidas de segurança extraordinárias, altera a dinâmica do evento e, em muitos casos, direciona os holofotes dos media para a instituição. O que deveria ser um espaço para reflexão ou celebração, torna-se inevitavelmente num evento de importância pública", acrescentou.
A especialista clarifica que a ausência de Letizia não deve ser por isso vista como arrogância ou superioridade, mas o oposto: como um sinal de respeito.
"O princípio orientador é que não se trata apenas de preservar a imagem da Coroa, mas também de proteger a essência do próprio evento (...) Num casamento, a presença da rainha poderia ofuscar o casal; num funeral, poderia gerar uma pressão indesejada dos media para a família enlutada. A ausência, nestes casos, é um sinal de respeito", explicou.