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Polémica

Rita Carmo indignada por Rosalía a proibir de a fotografar no Meo Arena: "O jornalismo só vale a pena quando nos serve?"

Depois da conhecida fotógrafa da 'Blitz', a Direção do Sindicato dos Jornalistas também já veio a público "manifestar a sua preocupação" com a atitude da cantora espanhola.
Por Joana Guterres | 10 de abril de 2026 às 17:19
Rita Carmo indignada por Rosalía a proibir de a fotografar no Meo Arena: "O jornalismo só vale a pena quando nos serve?"
Rita Carmo
Rita Carmo
Rita Carmo
Rita Carmo

Nos seus , Rosalía tomou uma decisão pouco comum: proibiu a entrada dos fotojornalistas portugueses, optando por distribuir imagens captadas pelo seu próprio fotógrafo à comunicação social.

As reações à atitude da cantora espanhola, que nos últimos tempos se tornou num verdadeiro fenómeno de popularidade, não se fizeram esperar.

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Rita Carmo, reconhecida fotógrafa de concertos do panorama nacional e colaboradora da 'Blitz' há muitos anos, expressou a sua revolta com uma publicação nas redes sociais.

"Esta história já a esperava, não deixaste fotografar a imprensa em nenhuma data à excepção da primeira, onde deixaste a Agência Getty. Porque te dava jeito", começou por escrever.

"Nem ia dizer nada porque até já te fotografei três vezes, e com a tua recusa ganhei uma noite em casa. Mas não está fixe: querer controlar o discurso tem limites. E quando os textos também forem veiculados pela agência de promoção da artista, como vai ser? O jornalismo só vale a pena quando nos serve? E como é, se aparecer aí uma nova Pandemia, e deixares de poder fazer concertos ou algo do género, já somos todos necessários e "não se deixam pessoas para trás", não é? Está bem, abelha. Vai lá comer pastéis de nata", atirou.

Também a Direção do Sindicato dos Jornalistas já veio a público manifestar "elevada preocupação" com "os impedimentos crescentes ao trabalho de fotojornalistas, de que é novo exemplo o bloqueio imposto nos concertos de Rosalía em Lisboa".

“É claro que a sociedade perde quando a linguagem jornalística é substituída pela divulgação propagandística. O SJ saúda os vários órgãos que recusaram publicar as fotografias promocionais, nos seus artigos sobre o evento“, lê-se no comunicado divulgado pelo SJ.

“O aumento do volume de artigos publicados online fez-se acompanhar de uma quebra no número de repórteres fotográficos e de imagem, levando a um recurso crescente a conteúdos distribuídos por assessorias de imprensa, gabinetes de comunicação, departamentos de marketing, redes sociais, bancos de imagem não editoriais e outras fontes externas ao exercício jornalístico. Quando esta prática assume caráter regular e estruturado, traduz-se numa substituição efetiva de trabalho jornalístico por conteúdos externos ao processo editorial, sujeito a regulação ética e deontológica“, continua.

“Esta realidade não pode deixar de suscitar reservas quanto ao cumprimento dos princípios de rigor, independência e responsabilidade editorial, manifestando o SJ repúdio por este comportamento indigno dos deveres de serviço público dos média. Estas práticas não são compatíveis com a exigência de qualidade e independência que deve caracterizar o exercício do jornalismo", lê-se ainda.

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