São mais que muitos os nomes conhecidos entre os signatários de uma carta aberta que repudia as polémicas declarações de Cristina Ferreira sobre a violação de uma jovem.
A cantora Ana Bacalhau, o influenciador Kiko is Hot, a atriz Joana Seixas, a ativista dos Direitos Humanos Francisca de Magalhães Barros, a sexóloga Marta Crowford e os políticos Joana Mortágua, Francisco Louçã, Isabel Moreira e Catarina Martins estão entre as mais de 140 pessoas que pedem uma reflexão sobre a responsabilidade dos meios de comunicação sobre assuntos delicados como a violência sexual.
O documento com o título 'A violação não é matéria de opinião' e dirigido à Comunicação Social e à Ordem dos Psicólogos, reúne psicólogos, professores universitários, investigadores, advogados, políticos e nomes do mundo do espetáculo.
"As pessoas abaixo-assinadas manifestam o mais absoluto repúdio pelo teor e pelo tom do debate. Consideramos que o episódio em causa merece também uma reflexão mais lata sobre a responsabilidade dos media: sobre os espaços de opinião, frequentemente transformados em espaços de desinformação; sobre o voyeurismo matinal em torno do crime, onde conversas ligeiras sobre violência são entretenimento fácil. Tertúlias televisivas sobre criminalidade tendem a trivializar os casos de violência, dissecando histórias de vida como se personagens de novela se tratassem, sem refletirem nos impactos que as palavras ditas na TV têm nas pessoas que sofreram a violência comentada", lê-se na Carta Aberta.
"Que toda a abordagem da violência sexual seja pautada pelo rigor e cuidado, seguindo orientações éticas transversais a todo o tipo de programas; Que o tratamento mediático da violência sexual rejeite o voyeurismo, respeitando as vítimas-sobreviventes; Que a linguagem sobre violência sexual seja adequada, sublinhando a violência e combatendo eufemismos como 'sexo sem consentimento'; Que profissionais devidamente qualificadas/os e especialistas em violência sexual sejam ouvidas/os e consideradas/os no espaço mediático, evitando lugares-comuns, generalidades e incorreções potencialmente danosas; Que os contecos sobre violência sexual se façam acompanhar por contactos de associações especializadas em violência sexual; Que a Ordem dos Psicólogos Portugueses emita diretrizes claras sobre esta matéria e reforce a necessidade de especialização para todas/os as/os profissionais que atendem e acompanham vítimas de violência sexual. Esta não é uma competência genérica. A não-especialização compromete as vítimas-sobreviventes", lê-se ainda.