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O estúdio do programa 'Passadeira Vermelha', da SIC Caras, transformou-se no palco de uma partilha avassaladora. A propósito das recentes declarações de Katia Aveiro, que recordou os "traumas" e o alcoolismo do pai, Dinis Aveiro, falecido em 2005, Sara Norte não conseguiu ficar indiferente e revisitou os fantasmas do seu próprio passado, marcado pela toxicodependência da mãe, a falecida atriz Carla Lupi.
Com o coração nas mãos, a atriz e comentadora, de 41 anos de idade, fez uma reflexão crua sobre a ironia da vida e a forma como acabou por seguir as pisadas mais sombrias da progenitora. “Eu sei o que é uma mãe ter um vício. A minha mãe era toxicodependente", começou por revelar, visivelmente comovida. "A vida é tão irónica. Sempre que passava por uma igreja pedia ‘por favor, cura a minha mãe’ e passados anos caí eu na droga. Portanto, isto às vezes cuspimos para o ar e cai-nos mesmo na testa. Era a única coisa que eu pedia", desabafou.
O percurso de Sara Norte e Carla Lupi ficou marcado pela tragédia em fevereiro de 2012, quando a jovem atriz foi detida em Algeciras, Espanha, por tráfico de estupefacientes, e não conseguiu despedir-se da mãe, que faleceu de cancro do pulmão.
O testemunho de Sara Norte coloca a biografia dramática de Carla Lupi novamente na atenção mediática. Figura marcante da ficção nacional nos anos 90, a atriz viveu uma espiral autodestrutiva alimentada pelo vício, que acabou por afastar o seu talento dos ecrãs e ditar o declínio da sua carreira e da sua vida pessoal.
A dependência química transformou o quotidiano familiar num autêntico campo de batalha, mas o destino tinha reservado para a antiga atriz um desfecho ainda mais dramático. No início de 2012, enquanto a filha começava a cumprir uma pena de prisão de dezasseis meses num estabelecimento prisional espanhol, Carla Lupi travava, em silêncio e já debilitada, uma luta dura contra um cancro fulminante no pulmão.
Carla Lupi acabou por perder a vida a 31 de julho de 2012, com apenas 46 anos, sem conseguir despedir-se da filha mais velha. Sara Norte, então privada de liberdade, foi impedida pelas autoridades espanholas de viajar até Portugal para marcar presença nas cerimónias fúnebres da progenitora.