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Há histórias que não se medem apenas em medalhas, mas em sobrevivência. Aos 28 anos, Diogo Carmona prepara-se para alcançar um marco inédito: será o primeiro português a competir nos Jogos Paralímpicos de Inverno, na disciplina de snowboard. Um feito que carrega não só peso desportivo, mas uma dimensão profundamente pessoal.
A confirmação da presença em Milano-Cortina 2026 chega depois de anos que puseram à prova a sua resiliência física e emocional. Em 2019, a vida mudou drasticamente quando foi colhido por um comboio na estação de São Pedro do Estoril. A amputação de parte da perna esquerda obrigou-o a reaprender gestos básicos, a reconstruir rotinas e, sobretudo, a reencontrar propósito.
Longe de se deixar definir pela tragédia, Diogo escolheu o movimento. Primeiro através do skate, onde voltou a sentir liberdade. Depois, no snowboard adaptado, modalidade que o conduziria a um palco internacional que até agora nunca tinha sido pisado por um atleta português.
A caminhada não foi isenta de novos obstáculos. Em maio do ano passado sofreu uma fratura do perónio, que exigiu cirurgia e mais um período de recuperação exigente. Ainda assim, menos de um ano depois, surge a melhor medalha de todas: entre 6 e 15 de março de 2026, em Itália, representará Portugal nos Jogos Paralímpicos de Inverno.
Nas redes sociais, o atleta não escondeu a emoção. Falou de felicidade difícil de traduzir por palavras e deixou agradecimentos às entidades e às pessoas que o acompanharam no processo. Uma conquista que, para quem o conhece, tem um significado ainda mais profundo. “Não consigo explicar a felicidade que estou a sentir neste momento. O meu muito obrigado ao Comité Paralímpico, à Federação de Desportos de Inverno e ao Mancha por acreditarem em mim”, agradeceu.
A mãe, Patrícia Carmona, partilhou o orgulho com palavras sentidas. Recordou um percurso feito de sacrifícios, noites inquietas e desafios silenciosos. Para ela, o filho é a prova de que desistir nunca foi opção e de que as adversidades podem transformar-se em força. “Sou incapaz neste momento expressar o sentimento que tenho, a alegria, o orgulho, a honra, enfim, o amor que sinto ao ver o meu filho sorrir com o coração novamente. Para o Diogo cada dor, cada ferida, cada lágrima, cada noite mal dormida, hoje são substituídas pela alegria e pela felicidade que tanto merece", partilhou nas redes sociais.
Antes do acidente, Diogo já conhecia os holofotes, fruto de trabalhos em televisão desde jovem. Mas a vida levou-o por caminhos difíceis, marcados por conflitos pessoais e momentos de fragilidade. Hoje, a narrativa é outra: a de um homem que encontrou no desporto uma forma de reconstruir identidade, confiança e futuro.