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Polémica

Do homicídio do pai ao 'Uber da Droga': o passado oculto do 'traficante dos famosos' que fornecia as estrelas da TV

O homem que abastecia concorrentes de reality shows e atores da TVI com o seu 'Uber da Droga' já tinha estado preso por um crime de sangue em família. Saiba tudo sobre a vida dupla de Nuno Ricardo Santos.
Por Hélder Ramalho | 09 de junho de 2026 às 16:07
Casal telemóvel
Casal telemóvel Foto: iStockphoto

O mundo do crime e o universo do mundo 'cor de rosa' voltaram a cruzar-se num processo de tráfico de droga que envolve nomes de atores, gente do desporto, da televisão e dos reality shows. Nuno Ricardo Santos, o homem que a PSP batizou como o ‘Uber da Droga’, foi condenado a uma pena de cinco anos e seis meses de prisão efetiva, num processo que expôs uma rede de tráfico de estupefacientes que abastecia a elite lisboeta. No entanto, por trás do mediático "dealer dos famosos", esconde-se um passado trágico: anos antes de criar o império que ruiu no tribunal, o arguido já tinha cumprido pena pelo homicídio do próprio pai.

Detido pela PSP no final de 2024, após mais de um ano de minuciosa investigação, Nuno Santos viu o seu negócio ser desmantelado através de escutas telefónicas fatais. Conforme avançou o jornal 'Observador', citando o acórdão do coletivo de juízes presidido por Rui Alves, as interceções telefónicas deitaram por terra o anonimato de vários clientes ‘VIP’. Entre os nomes apanhados nas escutas da PSP surgem o ator e médico José Carlos Pereira, a atriz e antiga concorrente do 'Big Brother' Marta Gil, e o judoca olímpico Jorge Fonseca, vencedor da medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.

A notoriedade da carteira de clientes do ‘Uber da Droga’ impressionou as autoridades. Para lá das caras conhecidas do pequeno ecrã, a rede servia concorrentes de formatos televisivos como 'Casados à Primeira Vista', funcionários da TAP, empresários, médicos e até engenheiros informáticos. No banco dos réus sentaram-se ainda o braço-direito do cabecilha, Leonel Nhaga, e a mãe de Nuno, Lucinda Santos, ambos condenados a penas suspensas. A mulher do líder acabou absolvida por falta de provas, apesar de o tribunal suspeitar do seu envolvimento na gestão das quantias monetárias, numa tentativa de Nuno Santos em "desresponsabilizar" a família até ao fim do julgamento.

O passado trágico: um ano de prisão por matar o pai a tiro

Se o presente do ‘Uber da Droga’ passa agora pelas celas de um estabelecimento prisional, o seu passado já conhecia conhecia a reclusão. Anos antes, Nuno Ricardo Santos sentou-se no banco dos réus pelo homicídio do próprio pai, recorda o 'Correio da Manhã'.

Na altura com apenas 17 anos, o jovem vivia num ambiente de extrema violência doméstica às mãos do pai, ironicamente, toxicodependente. Numa violenta discussão, Nuno agiu em defesa da mãe e matou o progenitor com um tiro. O tribunal acabou por reconhecer o contexto dramático e condenou o jovem a uma pena de apenas um ano de prisão efetiva.

Após cumprir a curta pena, Nuno Santos pareceu conseguir reabilitar-se e reconstruir a vida. Dedicou-se ao desporto, emigrou e, no regresso a Portugal, demonstrou uma faceta empreendedora multifacetada: abriu uma loja de desporto na Ericeira, trabalhou no setor imobiliário e no ramo da cosmética. Uma aparente reinserção social que, contudo, acabou por desmoronar-se quando decidiu passar de testemunha da toxicodependência do pai a um dos principais fornecedores de droga do mundo dos famosos em Lisboa.

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