A vacinação é o ponto de partida para a dura crítica de Luís Osório a Gustavo Santos. Numa crónica publicada no 'Diário de Notícias' o escritor aborda o regresso de doenças que pareciam controlada e aponta diretamente o nome do antigo apresentador de televisão questionando a forma como algumas opiniões continuam a ser difundidas.
Luís Osório começa por recordar o caso de Anna, uma menina de quatro anos que morreu em Itália depois de os pais terem recusado a vacinação, convencidos de que as vacinas provocavam autismo. Um caso que, para o também jornalista, ajuda a ilustrar as consequências que podem resultar da desinformação.
É neste contexto que surge Gustavo Santos. Para Luís Osório, a questão já ultrapassa a simples liberdade de cada pessoa defender uma opinião. "É importante criminalizar pessoas que, ao abrigo da liberdade de expressão, incendeiam o mundo com mentiras cientificamente comprováveis", escreve.
E é ainda mais direto quando se refere ao antigo apresentador, a quem chama "a mais popular figura entre os negacionistas". A crítica não fica por aqui. Luís Osório questiona o facto de Gustavo Santos poder continuar a defender publicamente posições contra a vacinação sem enfrentar consequências legais.
"Em Portugal, há gente que deveria estar sentada em frente a um juiz a responder pelas suas opiniões", afirma. É então que estabelece a comparação que torna a crónica particularmente contundente: "Se eu chamar palhaço a alguém posso ser preso, mas Gustavo Santos, a mais popular figura entre os negacionistas, pode continuar a fazer campanha contra a vacinação colocando em risco crianças que não têm como se defender."
Luís Osório questiona ainda: "Que justiça é essa? Que democracia é esta?". O escridor defende, assim, uma mudança na forma como a sociedade encara determinados discursos e considera que a legislação deve acompanhar aquilo que entende ser um novo tempo."Começa a ser difícil explicar a razão para que não se adapte a legislação a um novo tempo", acrescenta.