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Drama

O drama de Carlos Miguel, o eterno “Fininho”: escondeu-se de todos depois de saber que tinha uma doença grave

Durante anos, foi sinónimo de humor e arrancou gargalhadas a milhares de portugueses. Mas a vida de Carlos Miguel mudou radicalmente quando uma doença grave o afastou dos palcos. A partir daí, o “Fininho” escolheu o silêncio e o isolamento.
Ana Cristina Esteveira
O drama de Carlos Miguel, o eterno “Fininho”: escondeu-se de todos depois de saber que tinha uma doença grave
Carlos Miguel
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Fez rir um país inteiro e chegou a ser uma das maiores estrelas do humor televisivo em Portugal. Mas Carlos Miguel, o inesquecível “Fininho”, acabou os seus dias praticamente esquecido pelos holofotes. Cinco anos depois da sua morte, Luís Osório recupera a memória de um homem que foi gigante na televisão e que, depois de lhe ser diagnosticado um cancro nas cordas vocais, decidiu desaparecer.

Durante anos, bastava aparecer no pequeno ecrã para arrancar gargalhadas. Carlos Miguel tornou-se uma das figuras mais populares do humor nacional e conquistou um lugar especial junto dos portugueses com as suas rábulas no '1,2,3'. Para Luís Osório, não era apenas mais um humorista: “O Carlos Miguel, que o país tratava por Fininho, era a estrela maior do humor televisivo em Portugal”.

O jornalista recorda-o ao lado de Herman José, numa época em que os dois concentravam uma enorme fatia do carinho do público. “Dividia com Herman José o amor do público”, escreve, lembrando que, enquanto Herman revolucionava o humor com 'Tal Canal', Carlos Miguel conseguia “parar o país com as suas rábulas físicas”.

Mas a fama não o transformou num homem inacessível. Luís Osório conheceu-o em Campo de Ourique, o bairro onde nasceu, e recorda-se de o ver subir sozinho a Rua Sampaio Bruno. Mesmo depois de se tornar uma estrela, mantinha os mesmos hábitos. A diferença é que, entretanto, já havia quem o reconhecesse e lhe pedisse autógrafos.

E quando se tornou uma estrela continuou a subir a rua sozinho e a parar mais vezes para um, dois ou dez autógrafos”, recorda. A vida de Carlos Miguel mudaria radicalmente na década de 90. Foi-lhe diagnosticado um cancro nas cordas vocais e, a partir daí, o homem que durante anos entrara pela casa dos portugueses através da televisão afastou-se de todos. “E nunca mais quis ser visto”, escreve Luís Osório no seu habitual 'Postal do Dia'.

Carlos Miguel desapareceu praticamente sem deixar rasto. Segundo o cronista, terá partido para uma aldeia no Ribatejo, longe da exposição e da vida pública que durante tantos anos conhecera. Acabaria por morrer em Santarém, aos 77 anos, em 2021. Para Luís Osório, a notícia da morte teve um significado muito mais profundo. “Senti que partira uma parte da minha juventude”, confessa, recuperando as memórias de infância passadas no quarto da avó Joaquina, onde os dois riamaté às lágrimas” com as “maluqueiras” do Fininho.

Havia ainda outro ritual. No dia seguinte, conta, esperava junto à janela que Carlos Miguel subisse a rua, na esperança de que a estrela o pudesse ver. É talvez essa imagem que melhor resume a dimensão que o humorista chegou a ter na vida de tantos portugueses. “Era uma vedeta, uma das maiores da minha juventude”, escreve Luís Osório. E, naquela época, ninguém imaginaria que aquele homem que fazia o país rir acabaria os últimos anos longe de tudo e de todos.

O mais difícil para o jornalista foi perceber a forma como a morte de Carlos Miguel foi noticiada. “Trinta anos depois li a sua morte numa notícia breve de jornal.” Por momentos, nem sequer percebeu que era o mesmo homem. Mas era. Era o Fininho. Aquele que, durante anos, entrou pela televisão dentro e conseguiu “agitar” o que cada português tinha de mais cinzento. E, por isso, Luís Osório deixa uma conclusão que é também uma espécie de homenagem: “Nem que seja por isso este país deve-lhe muito.”

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