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Homenagem

Morreu Helena Afonso, a artista que deixou marca na música, no teatro e na televisão

Atriz, cantora lírica e professora tinha 78 anos. Rui Vieira Nery recorda-a como "uma voz pioneira" e "um poço de talento".
Hélder Ramalho
Cantora lírica Helena Afonso
Cantora lírica Helena Afonso Foto: D.R.

Helena Afonso, atriz, cantora lírica e professora de técnica vocal, morreu aos 78 anos. A notícia foi anunciada esta quinta-feira, 1 de outubro, pela Casa do Artista, instituição onde residia desde o ano passado, deixando o meio artístico português de luto pela perda de uma carreira que atravessou várias décadas e diferentes áreas da cultura.

Nascida em Lisboa, em 1948, Helena Afonso construiu um percurso raro e multifacetado, afirmando-se na música, na ópera, no teatro, no cinema, na televisão e também no ensino. Em comunicado, a Casa do Artista recorda uma artista que desenvolveu "um percurso singular" e que deixou marca em várias gerações de intérpretes e criadores.

Formada em Canto pelo Conservatório Nacional de Lisboa, iniciou a sua trajetória artística na música e na interpretação. Foi uma das vozes dos históricos Segréis de Lisboa, conjunto fundamental na divulgação da música antiga em Portugal, integrando como soprano e percussionista o álbum A Música no Tempo de Camões, lançado em 1979.

Ao longo da sua carreira, colaborou igualmente com projetos musicais de referência. Participou no álbum 'Dos Benefícios de um Vendido no Reino dos Bonifácios', da Banda do Casaco, editado em 1975, e integrou produções de música contemporânea como 'Depois de Tordesilhas' e 'Corda Bamba'.

Entre as homenagens que surgiram após a notícia da sua morte, destacou-se a de Rui Vieira Nery, musicólogo e uma das figuras mais respeitadas da cultura portuguesa. Numa publicação nas redes sociais, recordou Helena Afonso como "uma voz pioneira da Música Antiga em Portugal" e evocou alguns dos momentos mais marcantes da sua carreira com os Segréis de Lisboa, nomeadamente o álbum 'A Música no Tempo de Camões' e a estreia moderna em Portugal de 'Il Combattimento di Tancredi e Clorinda', de Claudio Monteverdi.

Rui Vieira Nery destacou ainda o talento da artista no teatro musical, lembrando trabalhos em produções como 'Saudades', de Ricardo Pais, 'Sweeney Todd', encenado por João Lourenço, e 'L'Enfant et les Sortilèges', de Maurice Ravel, sob direção de Luís Miguel Cintra.

"Era um poço de talento", escreveu, lamentando que "uma insegurança depressiva" tenha limitado uma projeção internacional que considerava compatível com as qualidades artísticas da intérprete.

"Deixa em todos nós, que a ouvimos, e particularmente naqueles de nós que tivemos o privilégio de fazer música com ela, uma saudade imensa", concluiu.

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