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Doença

O desabafo de Manuel Luís Goucha que está a chocar: "A vida não valia a pena"

Hoje, Manuel Luís Goucha tem tudo aquilo que construiu ao longo de décadas: sucesso profissional, uma relação estável ao lado de Rui Oliveira e segurança financeira. Mas nem sempre foi assim.
Ana Cristina Esteveira
O desabafo de Manuel Luís Goucha que está a chocar: "A vida não valia a pena"
Manuel Luís Goucha no 'Funtástico' da TVI
Manuel Luís Goucha
Manuel Luís Goucha
Manuel Luís Goucha
Manuel Luís Goucha
Manuel Luís Goucha no 'Funtástico' da TVI
Manuel Luís Goucha
Manuel Luís Goucha
Manuel Luís Goucha
Manuel Luís Goucha

Hoje, Manuel Luís Goucha olha para a sua vida com outra segurança. A experiência, a terapia e os anos de profissão deram-lhe ferramentas para lidar com as críticas e com os altos e baixos inerentes à própria vida. Mas nem sempre teve essa capacidade. Há 32 anos, o apresentador atravessou uma depressão que surgiu numa altura particularmente difícil. De um lado, o fim do programa 'Momentos de Glória'. Do outro, o fim de uma relação de 11 anos. Duas perdas que aconteceram praticamente em simultâneo e que tiveram um impacto profundo.

“Eu sei perfeitamente quando foi e sei que estes dois fatores, o profissional e o sentimental, o afetivo, os dois ao mesmo tempo, derrubaram-me”, recordou no podcast 'Juntos Contra a Depressão', da CNN Portugal. A forma como passou a olhar para si próprio também mudou. As críticas profissionais ganharam outro peso e aquilo que antes poderia ser apenas uma opinião passou a atingir diretamente a sua confiança.

“Penso que os sintomas de que me recordo, acima de tudo, estão ligados a uma tristeza sem fundo”, explicou, antes de reconhecer: “É a minha autoestima que é ferida de morte.” Hoje, garante que a relação com a crítica é completamente diferente. “Hoje, não há nenhuma crítica negativa que me deite abaixo, mas também não há nenhum elogio que me ponha num patamar de superioridade”, afirmou. E acrescentou: “Hoje é blindada.”

Mas, naquela época, perceber o que estava a acontecer não era fácil. Falava-se muito menos de depressão e Goucha acabou por procurar ajuda junto de pessoas próximas, entre elas Teresa Guilherme e Guilhermina Amaral. Seguiu depois para um psiquiatra, mas a primeira resposta que recebeu não correspondeu ao que procurava.

“Eu queria era saber porque é que me sentia assim. Eu queria ir às origens, às razões que justificassem aquilo que eu estava a sentir”, contou. O sofrimento, que não esquece, chegou a um ponto extremo. “E aquilo que eu estava a sentir era horrível, que era não ter vontade de viver”, revelou. “Terei passado por pensamentos suicidas. [...] pensei que a vida não valia a pena.”

A recuperação acabaria por coincidir com uma nova etapa profissional. Cerca de seis meses depois, Goucha regressou à RTP, fazendo questão de voltar ao ponto de partida, no Porto. Décadas depois, olha para esse período com outra distância. A depressão deixou marcas, mas também lhe deu uma consciência diferente sobre si próprio e sobre os sinais a que deve estar atento.

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