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Drama

O relato dramático de Iryna Shev, correspondente da SIC na Ucrânia, sobre colega jornalista: "Regressa num saco preto, a pesar 30 quilos, sem olhos e sem cérebro"

A jornalista relembrou o caso trágico de Viktoriia Roshchyna, que foi morta aos 27 anos.
O relato dramático de Iryna Shev, correspondente da SIC na Ucrânia, sobre colega jornalista: "Regressa num saco preto, a pesar 30 quilos, sem olhos e sem cérebro"
Iryna Shev, Viktoriia Roshchyna
Iryna Shev
Iryna Shev, Viktoriia Roshchyna
Iryna Shev

Iryna Shev partilhou um relato dramático no programa da RTP 'Break the Wall', da autoria de Tomás Duran, que explora a literacia mediática e a memória histórica.

A correspondente do Expresso e da SIC na Ucrânia, país onde nasceu e vive, começou por admitir que "adorava" ir aos territórios ocupados pela Rússia, mas explicou porque motivo não o faz.

"Eu moro lá, eu sei como é que são as coisas, mas as pessoas que estão de fora, ainda por cima num país tão longínquo como Portugal, não têm que saber que não é assim tão simples ir ao outro lado. E eu vou explicar porquê", começou por dizer.

"Com um exemplo muito concreto que dá para entender logo tudo. Que é o exemplo de uma jornalista que se chama Viktoriia Roshchyna. Portanto, Viktoriia achava que tinha como missão ir ao outro lado, e ir ao outro lado não é passar a linha da frente. Ir ao outro lado é sair da Ucrânia, Polónia, Bielorússia, entrar na Rússia e por aí fora (...) Ela faz isto, ela dá esta volta toda uma vez, outra vez... e começam a ameaçá-la. Ela começa a dar nas vistas. E regressa, e os amigos e os pais imploram para ela não ir. Mas ela tem essa missão", continuou.

Viktoriia Roshchyna
Viktoriia Roshchyna Foto: DR

"Ela atravessa a fronteira uma última vez, é detida, fica quase um ano em cativeiro. Durante esse ano é torturada. Só pode fazer um telefonema aos pais quase um ano depois de estar detida. E quando regressa à Ucrânia, ela regressa num saco preto, a pesar 30 quilos, sem olhos e sem cérebro", contou então.

"Portanto, ser jornalista neste tipo de sítios é muito diferente daquilo que é ser jornalista fora de um sítio em guerra. E ir para território onde o jornalista é visto como inimigo – e em ditaduras o jornalista é visto como inimigo, e a Rússia é uma ditadura – é este o resultado que se tem", concluiu.

Viktoriia Roshchyna tinha 26 anos quando desapareceu, em 2023. Além da profanação do cadáver, o seu corpo apresentava marcas de eletrocussão. Volodymyr Zelenskyy, presidente da Ucrânia, descreveu a sua morte como "um duro golpe" para os jornalistas ucranianos.

Entre os muitos comentários ao vídeo de Iryna, está o testemunho do jornalista Bruno Amaral de Carvalho, que aponta o dedo ao lado ucraniano.

"Bom, eu também não pude ir ao outro lado e gostava. Aliás, neste momento, estou na lista negra do Estado ucraniano, uma lista em que as pessoas aparecem com a palavra eliminado quando morrem ou quando são mortas. Houve jornalistas mortos por russos como por ucranianos, como o meu amigo Nikita Tsitsagi, com um colete a dizer PRESS, assassinado por um drone lançado pelas forças ucranianas", escreveu.

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