A Polícia Judiciária tem esta quarta-feira em curso uma megaoperação de combate ao crime económico. A 'Operação Hermes' envolve cerca de 700 inspetores da PJ e 300 elementos da Autoridade Tributária, num total de 250 buscas, e prevê mais de 20 detenções. Em causa está um alegado esquema de fraude ao IVA que poderá ter causado um prejuízo superior a 100 milhões de euros ao Estado português.
Os suspeitos terão recorrido a vendas simuladas de milhares de telemóveis entre empresas de diferentes países da União Europeia, incluindo sociedades criadas apenas para permitir a circulação fictícia dos aparelhos e o posterior reembolso indevido do IVA. Mas há um detalhe nesta operação que remete para um caso que já tinha feito manchetes em Portugal.
Os dois inquéritos que estão agora na origem da 'Operação Hermes' resultam de informação recolhida durante a 'Operação Admiral', desencadeada em 2022. A investigação anterior também estava relacionada com um esquema de fraude ao IVA e acabou por envolver Max Cardoso, marido de Ana Lúcia Matos.
Na altura, a antiga apresentadora foi detida juntamente com o empresário. Ana Lúcia Matos chegou a ser suspeita de branqueamento de capitais, mas o seu processo teve um desfecho diferente do de Max Cardoso. Em 2024, o tribunal determinou a suspensão provisória do processo durante dois anos, mediante o pagamento de 100 mil euros.
Já Max Cardoso seguiu para julgamento. A 'Operação Admiral' investigava uma rede que, segundo a acusação, terá provocado uma fuga aos impostos superior a 80 milhões de euros em Portugal. Em maio de 2025, o Tribunal Central Criminal de Lisboa condenou Max Cardoso a sete anos e seis meses de prisão.
O tribunal deu como provados vários dos crimes que lhe eram imputados, entre eles fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e corrupção no setor privado. A acusação por associação criminosa não ficou provada.