A braçadeira 'One Love' tem dado muito que falar neste Campeonato do Mundo de Futebol que decorre no Qatar, país onde a homossexualidade é proíbida e considerada crime. O símbolo que agora muitas seleções quiseram usar ao longo do evento desportivo nasceu na Holanda em 2020, e suas cores representam diferentes raças, origens, identidades de género e orientações sexuais.
Só que as braçadeiras destinadas a enviar uma mensagem de tolerância foram proibidas pela FIFA e sete seleções como é o caso da Inglaterra, Gales, Bélgica, Holanda, Suíça, Alemanha e Dinamarca, acabaram de desistir, dado que corriam o risco de que os capitães que usassem a braçadeira seriam penalizados com um cartão amarelo, mesmo do jogo começar, além de uma multa financeira.
Assim, há indivualidades que estão a usar a 'One Love', como aconteceu com a ministra alemã do Interior. Nanci Faeser mostrou-se no estádio com a braçadeira da polémica e deixou-se fotografar ao lado do presidente da FIFA, Gianni Infantino. Entretanto, um jornalista dinamarquês foi obrigado pela polícia a retirar a braçadeira quando estava a fazer um direto televisivo nas imediações de um dos estádios.
E foi este incidente que mereceu uma mensagem especial de Rodrigo Guedes de Carvalho, no final do 'Jornal da Noite', da SIC. Disse o jornalista: "O garrote chegou à liberdade de Imprensa. Pelo menos um jornalista, um dinamarquês, foi abordado pelas autoridades quando estava a efetuar um direto para o seu canal e foi forçado a retirar a braçadeira".
E continuou: "Isto é significativo e é grave. Convém relembrar, de vez em quando, que o jornalismo que não pode, ou não deve, exibir preferências políticas, ideológicas, clubísticas, religiosas pode e deve ser feito com os valores da vigilância e da defesa do bem comum".
Rodrigo Guedes de Carvalho esclareceu de seguida: "Por isso, o jornalismo sério denuncia atrocidades, investiga corrupções, revela bastidores sórdidos que roubam, humilham e vitimam a população geral. O jornalismo tem, pois, uma causa: a da Humanidade. E, por isso, venho apenas lembrar que esta braçadeira não é uma bomba, um míssil que possa assustar regimes".
E concluiu: "Trata-se de lembrar apenas que cada ser humano tem o direito de se apaixonar por quem quiser. Em relações adultas e consensuais tem o direito a relações sexuais e emocionais com quem quiser. Cada ser humano tem o direito de amar quem quiser. Sem esta noção básica de tolerância, o caminho para outros perigos à liberdade ficam abertos. E a História já nos deu muitas lições".