Tudo aconteceu a 1 de maio de 2019, durante um treino dos “dragões”. Iker Casillas, à época guarda-redes do FC Porto, começou a sentir uma forte dor no peito e acabou por ser transportado para o hospital, onde foi submetido a um cateterismo. O episódio determinou o fim da carreira profissional do antigo internacional espanhol.
Em tribunal, a cardiologista Isabel Quelhas foi taxativa quanto ao momento em que, na sua opinião, ocorreu a rutura da placa que desencadeou o enfarte. “Tenho a certeza que a rutura foi às 11:00, no momento de dor mais intensa”, afirmou a médica na manhã desta sexta-feira, 18 de setembro, na sala de audiências do Palácio da Justiça, no Porto.
A especialista, que explicou que o exercício físico pode funcionar como fator precipitante perante uma placa instável, realçou um dado anterior que também chamou a sua atenção. Iker Casillas contou-lhe que tinha sentido uma dor semelhante na noite anterior, durante alguns minutos, embora esta tivesse desaparecido espontaneamente. Para Isabel Quelhas, essa informação foi “essencial para o diagnóstico”.
A versão apresentada em tribunal não é, contudo, consensual. O cardiologista espanhol Hans Paul Gaebelt Slocker defendeu que um treino habitual não deveria provocar a rutura de uma placa num atleta profissional, admitindo que apenas um esforço acima do normal pudesse funcionar como desencadeante.
É precisamente esta questão que está em discussão no processo. Casillas reclama à Fidelidade 750.821,91 euros por incapacidade temporária absoluta e mais 1.521.780,82 euros por incapacidade permanente absoluta para o trabalho habitual, além de outras quantias que pretende ver suportadas pelo FC Porto.
As alegações finais estão marcadas para 28 de outubro. Até lá, o tribunal terá de avaliar as diferentes versões apresentadas pelos especialistas e determinar se o enfarte pode, ou não, ser considerado um acidente de trabalho.