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ESTUDO NACIONAL DE AVALIAÇÃO DA LITERACIA ALIMENTAR EM ADULTOS

12 de março de 2026 às 12:46
Apresentação do Estudo Nacional de Avaliação da Literacia Alimentar em Adultos
Apresentação do Estudo Nacional de Avaliação da Literacia Alimentar em Adultos

MAIORIA DOS CONSUMIDORES TEM DIFICULDADE EM TRANSFORMAR INFORMAÇÃO SOBRE ALIMENTOS EM DECISÕES MAIS EQUILIBRADAS.

Estudo da Associação Portuguesa de Nutrição (APN), apoiado pelo Continente e realizado pela Pitagórica, revela que persistem desafios significativos na capacitação para realizar escolhas alimentares mais equilibradas.

Resultados sublinham que os agregados familiares com menores rendimentos, as pessoas idosas e os indivíduos que avaliam pior o seu estado de saúde têm um nível de literacia alimentar mais baixo.

 

Um estudo da Associação Portuguesa de Nutrição (APN), apoiado pelo Continente e realizado pela Pitagórica, revela que a literacia alimentar da população adulta residente em Portugal apresenta um score global de 57,5%. Embora o acesso à informação sobre nutrição e alimentação seja hoje generalizado, persistem desafios significativos na capacidade de transformar esse conhecimento em práticas alimentares equilibradas e em escolhas de consumo mais conscientes e sustentáveis.

O estudo evidencia diferenças marcadas entre grupos populacionais. Jovens adultos, pessoas empregadas e agregados com rendimentos confortáveis registam níveis mais elevados de literacia alimentar, ao passo que pessoas idosas, desempregados e famílias com rendimentos insuficientes apresentam resultados mais baixos. Estes contrastes revelam desigualdades sociais que influenciam diretamente a capacidade de aceder, compreender, avaliar e aplicar o conhecimento relacionado com a alimentação.

A análise mostra ainda que, apesar de os inquiridos declararem facilidade em compreender uma parte da informação constante nos rótulos alimentares, datas de validade ou recomendações de profissionais de saúde, a transposição desse conhecimento para decisões diárias continua a ser um desafio. Avaliar selos nutricionais, compreender informação presente em alegações e sobre alergénios, selecionar alimentos mais equilibrados ou adaptar receitas e técnicas culinárias são exemplos de tarefas onde as dificuldades se tornam mais evidentes. A diferença entre ter a capacidade para “saber” e para “saber fazer” permanece, assim, um dos principais obstáculos à adoção de comportamentos alimentares saudáveis.

 

Níveis de literacia alimentar

A dimensão Consumo surge como a área com menor score, com uma percentagem de 54,7%. Nesta vertente, os participantes demonstram dificuldades em compreender o impacto social, económico e ambiental das suas escolhas alimentares. Revelam igualmente limitações em perceber o efeito das suas opções na preservação da biodiversidade ou aceder a informação que os ajude a modificar hábitos alimentares de modo a contribuir para o desenvolvimento do território local.

Perante todos os dados, coloca-se o desafio de traduzir informação complexa em decisões simples e simplificar os conceitos de sustentabilidade alimentar e nutrição numa linguagem prática e facilmente aplicável.

Desta forma, é necessário criar mais oportunidades, ferramentas e contextos que ajudem as pessoas a estarem mais capacitadas para assumir comportamentos mais equilibrados e sustentáveis.

 

FICHA TÉCNICA: Estudo realizado pela Pitagórica, com recolha online entre 16 e 24 de outubro de 2025, com uma amostra representativa da população adulta, residente em Portugal continental e ilhas, com 18 ou mais anos (n = 1000), margem de erro ±3,2% e nível de confiança 95,5%.

 

NOTA: Este estudo foi submetido e aprovado pela Comissão de Ética do IUCS-CESPU, sob o Parecer n.º 33/CE-IUCS/2025.

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