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Usar colunas inteligentes para cuidar dos filhos? Sim, mas com cautela

Dispositivos como a Amazon Echo ou a Google Nest podem ser uma valiosa ajuda no tempo passado com as crianças, mas saiba que precauções deve tomar.
22 de fevereiro de 2021 às 20:40
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coluna inteligente, smart speaker Foto: iStock

As ‘smart speakers’ – ou colunas inteligentes – são uma das inovações tecnológicas mais populares dos últimos tempos. Produtos como o Echo, da Amazon, ou o Nest, da Google, surgem com uma vasta gama de funcionalidades e podem ser controladas através da voz, incluindo inteligências artificiais que reagem a ordens do utilizador, tocando música, providenciando informação, contando piadas ou respondendo a perguntas.

Uma das mais populares é o uso das colunas para ajudar enquanto se brinca com os filhos ou se faz 'babysitting'. O autor norte-irlandês Séamas O’Reilly, num texto de opinião para o Guardian, reparou que alguns dos recursos são intuitivos para as crianças, dando o exemplo de quando descobrira que a coluna podia reproduzir sons de animais através de ordens simples como "faz um som de leão." O escritor acrescentou que a tecnologia encantou o filho enquanto emitia barulhos correspondentes quer a uma vasta fauna, quer a sons característicos do planeta, como cascatas ou motores.

De acordo com o ‘Smart Audio Report’ de 2020, um relatório que resulta de uma parceria entre a NPR e a Edison Research, o número de utilizadores de ‘smart speakers’ que admitiram querer comprar outra coluna para entreter crianças noutras divisões da casa passou de 47% para 71%, entre as primaveras de 2019 e 2020, ou seja, comparando o período de confinamento com o período pré-pandemia.

Por outro lado, já foram levantados alertas quanto a possíveis brechas de privacidade destes aparelhos. Em 2018, a Amazon lançou a Echo Dot kids edition, uma versão desenhada especialmente para crianças do popular modelo que inclui a inteligência artificial Alexa. Um lançamento que causou imediatamente polémica, devido a uma funcionalidade que armazenava as vozes das crianças que com ela interagiam. Perante isto, a Amazon sentiu-se na necessidade de rebater esta preocupação, declarando que as gravações poderiam ser apagadas a qualquer altura e que eram utilizadas apenas para enriquecer os seus recursos, mas a desconfiança permaneceu.

Num artigo para a NPR em 2017, a psicóloga infantil Rachel Severson, autora de estudos sobre interações entre crianças e inteligência artificial, avisou também que é necessário ter muito cuidado com a forma como se expõe as crianças a estes robôs: "As crianças estão a desenvolver conceitos do que é uma interação social apropriada. Portanto é necessário que os pais reconheçam que as crianças estão atentas a como interagem com a máquina e com outros", dando o exemplo de que a máquina não reage de forma diferente entre pedidos educados e pedidos agressivos. Adicionalmente, Severson alertou para o facto de que "uma interação entre uma criança e a Alexa escasseia em complexidade comparativamente com como uma criança falaria com uma pessoa na vida real", encorajando os pais a dialogar com os filhos sobre o que aprenderam após a utilização da coluna.

No cômputo geral, as ‘smart speakers’ podem ser uma ajuda valiosa durante o 'babysitting', disponibilizando vários tipos de material que enriquecem as brincadeiras entre pais e filhos, mas recomenda-se que preste atenção aos cuidados a ter, assim como ao tipo e frequência da interação entre crianças e máquinas.

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