A relação entre Luíza Abreu, irmã de Luciana Abreu, e o pai, Luís Carlos Sodré Costa Real, tem sido marcada por dificuldades profundas e feridas que o tempo não apagou. Memórias de uma infância conturbada, marcada por episódios de violência doméstica, foram partilhadas pela bailarina de 34 anos de idade, atual companheira de João Moura Caetano, de quem espera o primeiro filho – uma menina, cujo nome será Maria Guiomar, como já foi anunciado –, na tarde desta terça-feira, 10 de março, no programa 'Júlia', da SIC.
“Um pai muito complicado. Situações de violência doméstica. Lembro-me de tudo. É a memória que me faz ter a certeza absoluta da extraordinária mãe que tenho. Ela é a minha vida, é tudo para mim”, afirmou Luíza, destacando a coragem de Maria Ludovina Abreu Leite Sarmento, que protegeu as filhas em circunstâncias extremas, tornando-se o pilar que manteve a família unida.
Questionada por Júlia Pinheiro sobre os motivos do comportamento do pai, exponenciado pela bebida, Luíza refletiu: “Possivelmente sentia-se bem a fazer isso. Creio que seja isso que leva as pessoas a ter esse tipo de problema. Uns com álcool, outros com droga, julgo que seja isso que os leva a sentir-se bem e maiores.”
A artista recordou momentos em que os vizinhos ouviam os conflitos e chamavam a polícia: “Ainda hoje em dia é assim e o sistema não muda, só piora. Infelizmente, a vítima é sempre exposta e não o agressor. E é a vítima que tem que ser institucionalizada, junto com os filhos… graças a Deus, isso nunca aconteceu connosco. De facto, o problema está no sistema”, revelou, com uma mistura de indignação e tristeza.
Entre as lembranças mais dolorosas, Luíza recorda um aniversário, quando celebrou 8 anos e que marcou a sua infância e a sua vida: pediu um bolo com a figura de um palhaço, que a mãe conseguiu providenciar. “Quando chegou o momento de cantarmos os parabéns, à meia-noite de dia 26 para 27 de setembro, não aconteceu nada. Tudo foi destruído e foi nessa mesma noite que fomos embora, para nunca mais voltar”, contou, com a voz carregada de emoção.
A decisão da mãe de proteger as filhas deu início a uma vida de constantes mudanças e fugas. “A partir daí começou a não aceitação. Foram perseguições nas escolas, para nos fazer perceber que já nos tinha descoberto. Houve desassossego. Mudámos de casa mais de 20 vezes [para fugir do pai]”, explicou, lembrando que, mesmo quando os pais ainda estavam casados, episódios semelhantes se repetiam, por vergonha perante os vizinhos.
O relato de Luíza Abreu é um retrato de dor, resiliência e amor incondicional. Apesar das feridas do passado, a artista reconhece o papel fundamental da mãe, que construiu uma infância protegida e de afeto, mesmo nas circunstâncias mais adversas.