Amigos e familiares contam tudo sobre ela na hora do adeus: o casamento relâmpago com Miguel, o advogado pai do filho Bernardo. As paixões com homens violentos. As relações tóxicas. A fuga para a região Oeste na época do Covid-19. O desencanto com o isolamento no meio do campo e a vontade de mudar de casa. Tudo histórias de uma mulher que gostava de festa, do convívio com as amigas, que falava pelos cotovelos e nunca chegava a horas a lado algum.
Poder, podemos. Mas será que faz sentido? Tal como na história do perverso Jeffrey Epstein havia nos anos de 1960 sexo pedófilo em Portugal. Havia angariação de crianças em meios desfavorecidos. Havia poderosos, políticos, empresários e sacerdotes a abusar de crianças com 9 a 12 anos. Havia exercício de poder e tráfico de influências. O autor do guião da série portuguesa da RTP, que mesmo em 1998 escandalizou alguns puritanos e incomodou intervenientes e familiares sobrevivos, arrasa também Donald Trump e fala na escala das duas realidades e garante que em Portugal não houve cenas de canibalismo
Numa altura em que se assinalou o primeiro aniversário da morte de Pinto da Costa, a família do portista continua em guerra aberta, mas a viúva, Cláudia, como que renasceu: deixou o trabalho no banco, vive na casa que era de Pinto da Costa, com direito a pensão vitalícia, e inicia uma nova vida, sempre de costas voltadas com o enteado Alexandre. Na missa de homenagem, cada um estava para seu lado.
Quem é a mulher que aparece ao lado de André Ventura nos momentos-chave e desaparece quando os holofotes se acendem? A resposta passa pela fé católica que une o casal e por uma relação construída na discrição.
Foi o único bebé presidencial a nascer e crescer no Palácio de Belém. As fotos em família mostram bem o pequenote que todos os portugueses acarinhavam. Privou com reis, andou ao colo de rainhas e princesas e de mão dada, feliz e contente, com o Papa João Paulo II em maio de 1982. Foi estrela numa visita à Grande Muralha da China em 85, com sete anos, mas desde que a 9 de março de 1986 deixou o Palácio pouco se sabe sobre ele. Foi surfista, com direito a penteado estiloso e as madeixas loiras da praxe, virou farmacêutico, casou com uma engenheira ambiental e provavelmente já atendeu na farmácia do Freeport, em Alcochete, muitos dos leitores deste artigo.
O Presidente da República conta as horas para a despedida do Palácio de Belém e tomar novamente as rédeas da sua vida. Entre os seus planos mais pessoais estarão resolver os respingos que as polémicas trouxeram para os seus dias, e que dividiram a família, e recuperar o prazer do contacto com os alunos. À sua espera tem uma nova e já delineada vida na Califórnia.
Na igreja de San Antón, em Madrid, o dia 17 de janeiro teve um público especial: dezenas de cães e gatos são levados pelos tutores para ser abençoados.
Numa altura em que o país escolhe o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente dos afetos despede-se de um cargo que carrega anos de um peso emocional grande, que o desgastou a todos os níveis. Desde o polémico caso das gémeas luso-brasileiras, que levou ao corte de relações com o filho Nuno, que o chefe de Estado tem perdido exuberância, contando os dias para deixar Belém. "A mágoa está na cara dele em permanência", admite o amigo Pedro Santana Lopes.