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As polémicas, os 'anjos' afastados e tudo o que a Victoria's Secret fez para recuperar a magia perdida do grande desfile

Show da marca, em que as modelos desfilam com as icónicas asas de anjo, está a levantar enorme polémica e arranca debaixo de críticas dos fãs, que consideram que a Victoria's Secret está perdida entre o glamour do passado e a tentativa desesperada de apanhar o comboio dos novos tempos.
Alessandra Amrbosio
Alessandra Amrbosio Foto: Getty Images

Diz-se que a história dificilmente se repete, que há que aceitar a mudança dos tempos e que o mundo segue a uma velocidade tão vertiginosa que dificilmente conseguimos replicar modelos de sucesso que fizeram escola no passado. No entanto, para muitos, a Victoria's Secret (VS) continua presa aos tempos áureos em que os seus anjos eram o topo da cadeia da moda e o desfile anual um dos momentos mais aguardados, do qual se falava não só nos meses anteriores como durante vários dos dias que se seguiam ao evento. Mas como será este domingo, dia 18, pelas 00h30 de Portugal, altura em que a famosa marca de lingerie norte-americana volta às passerelles?

Os anjos da Victoria's Secret
Os anjos da Victoria's Secret Foto: Getty Images

De regresso a Los Angeles pela primeira vez desde 2007, a marca tenta, com o show deste domingo recuperar o glamour de outros tempos juntando uma mistura de ingredientes do passado com mudanças estruturais. Assim, vamos voltar a ver rostos emblemáticos da marca, os famosos anjos, como Candice Swanepoel, Adriana Lima, Alessandra Ambrosio e as irmãs Gigi e Bella Hadid, assim como assistir ao regresso do icónico fantasy bra, um sutiã de diamantes, que sempre foi um dos momentos mais aguardados do desfile da VS. 

No entanto, a marca foi aconselhada a não perder o comboio dos tempos que se vivem e tentou uma abordagem de maior integração, com mulheres representativas daquilo que são corpos reais, uma 'angel' escolhida pelo público e várias atuações musicais no feminino. 

Gig Hadid
Gig Hadid Foto: Getty Images

Apesar das tentativas de mudança, as críticas à nova abordagem ao desfile começaram muito antes de este estar alinhado, sendo que um dos momentos altos aconteceu quando a conhecida modelo da marca Romee Strijd ter feito um vídeo em lágrimas, no qual admitia ter sido rejeitada por aquela que foi, durante anos, a sua casa. A manequim lamentou também a postura da VS, garantindo que os responsáveis foram sempre evasivos em relação à sua participação, o que criou expectativas irrealistas. "Treinei para isto durante o verão porque precisei de me dedicar mais. Tenho dois filhos e o corpo exige um pouco mais de exercício do que antes", disse, confirmando dias depois que a marca a havia recusado. "É um não, o que é tranquilo, porque a rejeição faz parte da carreira de modelo, e está tudo bem. Eles acharam que não me encaixava no desfile deste ano."

Romee Strijd
Romee Strijd Foto: Getty Images

Assim como Romee, outras manequins famosas, como Lais Ribeiro, Taylor Hill ou a portuguesa Sara Sampaio, acabaram por não ser consideradas pela marca, o que levantou outra polémica. Afinal, quem estava a ocupar o lugar destes conhecidos 'anjos'? De acordo com a revista 'Vanity Fair', a resposta está no facto de a VS ter decidido substituir estas manequins profissionais por influencers, que conquistam espaço e seguidores nas redes sociais, de forma a aproximar-se do público, o que já está a levantar polémica. Perante a mudança, foram vários os fãs que se insurgiram, criticando o novo lugar ocupado pelos influenciadores no espaço público e como isso está a afastar quem se dedica durante anos à profissão. O debate está lançado e há quem acuse a marca de desespero, mostrando-se disposta a tudo para conquistar um lugar no digital, depois do fracasso dos últimos anos.

sara sampaio, isilda moreira, secret show
sara sampaio, isilda moreira, secret show

A ARROGÂNCIA DA INVENCIBILIDADE QUE DITOU O FIM DOS ANJOS

Para percebermos a queda dos 'anjos', temos de recuar até ao ano de 2018, quando o desfile da marca foi suspenso. Na altura, a Victoria's Secret debatia-se com os ares de mudança no mundo e as críticas aos corpos demasiado magros das modelos, à ausência de inclusão da marca e ao facto de promoverem apenas determinados estereótipos de beleza acabaram por colocar um travão no percurso de sucesso que levou a marca a vendas milionárias durante anos a fio.

Na sobranceria da vitória, há quem diga que a VS se achou invencível, que não capitularia e que os 'anjos' eram os eternos rostos do desejo e sucesso, mas as vendas mostraram precisamente o contrário. A partir de 2019 iniciaram o seu caminho de queda livre, os espetáculos da marca foram cancelados, e, sem que qualquer caminho fosse preparado nesse sentido, a Victoria's Secret passou a ser, de repente, a marca das modelos plus size, dos corpos mais cheinhos, numa decisão tomada à pressa e que, por isso, soou a falso, não vingou.

E, como uma desgraça nunca vem só, juntaram-se denúncias de condutas duvidosas para com as modelos, em tempos em que o #metoo se tornava implacável. Os anjos penduravam então as asas, os shows acabavam e a marca iniciava um percurso de deriva, numa tentativa vã de encontrar o seu caminho, sem que ninguém percebesse, afinal, qual era o seu conceito e o seu caminho: para mulheres reais, para as mulheres sonharem ou nem uma coisa nem outra?

Havia, por isso, uma enorme expectativa em saber como seria, seis anos depois, o regresso dos famosos 'anjos'. O investimento para o desfile de 2024 foi milionário, e tudo foi mantido num enorme secretismo. Que novidades iria apresentar a marca que mostrassem, de alguma forma, qual o caminho que pretendia trilhar, a sua nova cara?

Bella Hadid
Bella Hadid Foto: Getty Images

Só que tudo soou a mais do mesmo, com a marca a mostrar-se incapaz de soltar as amarras do passado e inovar. Fora duas modelos transgénero e outras tantas plus size, que às tantas dava a ideia de que só estavam ali para preencher a quota, tudo o resto foi um mergulho no passado, um deja vu, considerado pelos fãs aborrecido. 

"A Victoria's Secret voltou com o show mais aborrecido de sempre", "Tirem o mofo dessas asas" ou "que espetáculo vazio, sem alma", "a marca tem de ir de encontro ao que o público quer. O que foi isto?" foram algumas das muitas críticas que se lerem e que se repetiram no ano seguinte, lançando agora a dúvida: será que em 2026 vamos ter um show disruptivo ou que VS estagnou, mostrando-se incapaz de se reiventar?

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