Nos últimos dias, Donald Trump e Melania viveram um momento de glamour na Casa Branca ao receberem o rei de Inglaterra Carlos III ao lado da mulher, Camilla. O encontrou visou reforçar os laços diplomáticos entre os países e deixou todos os olhos postos na primeira-dama e na rainha consorte que, no banquete real, brilharam com elegantes vestidos compridos. No entanto, não foi apenas pelo modelo Dior, de decote assimétrico, em tons pastel, que a antiga modelo deu nas vistas. Durante a cerimónia, um momento inusitado foi captado e mostra novos sinais de tensão entre o presidente dos Estados Unidos e a mulher. Nas imagens, é possível ver que o político dá a mão à companheira, mas que esta o repele, soltando-a momentos mais tarde.
Nas redes sociais, as especulações dispararam. Seria este mais um sinal de que algo vai mal ou casamento dos dois ou a confirmação de que esta é meramente uma união de fachada e que entre o casal não há mais a uni-lo do que um profundo jogo de interesses? Apesar dos rumores, há ainda uma terceira hipótese que foi avançada. Manda o protocolo que, quando se usa luvas, como era o caso da primeira-dama, não se deve entrelaçar os dedos, razão pela qual esta terá soltado a mão.
Não se sabendo ao certo se se tratou de um acaso ou de algo que espelha uma crise mais profunda, certo é que o momento relançou o debate sobre a saúde do casamento, que dura desde 2005, e que tem sido alvo de vários rumores de crise, mas mantém-se intocado.
ESPECULAÇÕES ACOMPANHAM MANDATOS
Durante o primeiro mandato de Donald Trump, o assunto tornou-se quase debate de Estado. Perante as constantes fotografias em que Melania aparecia com cara de enterro ao lado do marido, criou-se um movimento que, em tom de piada, se exigia a libertação da primeira-dama dos Estados Unidos. Nas redes sociais, pedia-se que a eslovena piscasse os olhos duas vezes se precisasse de ajuda ou quisesse, de alguma forma, auxílio para sair do casamento. Mas a antiga modelo não alterou a expressão. Manteve o mesmo ar impenetrável de sempre que faz dela o mistério mais bem guardado da Casa Branca.
As teorias sucedem-se ao longo dos anos. Diz-se que o casamento é um contrato, que o que os liga é apenas dinheiro e, recentemente, a versão australiana do programa '60 Minutes' afirmava que os dois estavam mesmo separados. Perante as afirmações, a Casa Branca retaliou sem palavras, mas de forma a que não restassem dúvidas: fez Melania desfilar ao lado de Trump para mostrar que, contrato ou não, o casamento que celebraram em 2005 está de pedra e cal.
Mas a grande questão é: qual é, afinal, o teor desta relação? O dinheiro é, efetivamente, o que mais ordena? Os dois têm vida marital? O que se passa quando os flashes estão longe e o casal está na privacidade da sua mansão em Mar-a-Lago? A verdade poucos saberão, mas muitos tentam chegar lá. As teorias vão de costa a costa, por isso, algures pelo meio poderá saber-se o que se passa. Analisamos os vários lados da história na tentativa de conhecer a verdade.
O INÍCIO DO ROMANCE
Para percebermos a dinâmica do casal, temos de recuar até aos anos 90, quando o casal se conheceu numa festa da Semana da Moda de Nova Iorque. Trump já tinha na bagagem, então, dois casamentos falhados, enquanto a eslovena, de uma beleza estonteante, vinha de França e Itália, onde tinha feito carreira como modelo.
Kate Bennett, com obras escritas sobre a vida de Trump, admite que, quando os dois se conheceram, houve um encantamento imediato, com o facto de o político ser uma celebridade a ter o seu peso. "Ela ficou fascinada pelo seu magnetismo, riqueza, ligações poderosas e 'status quo'. Não se pode dissociar a relação deles desse fator", admite.
De acordo com a mesma autora, apesar de, já bem depois do casamento, poder ter havido desilusão de Melania sobre os escândalos que ligaram o marido a atrizes porno como Stormy Daniels, também isso não terá sido uma completa surpresa.
"Claro que a desilusão terá existido. Ambas as coisas podem ser verdade. Mas Melania sabia com quem se estava a casar e que ele não era propriamente um santo", explica a autora, admitindo que o casamento terá sido construído dentro desses pressupostos e com regras próprias dos dois.
"Ela sabia que Trump nunca seria um tipo dado à monogamia. Agora, o que efetivamente a terá beliscado foi a forma como tudo isto veio a público e as humilhações a que seria sujeita. Acho que esse fator, sim, poderá ter pesado. Melania não estava preparada para isso."
Uma versão que coincide com a de Anita McBride, especialista em primeiras-damas norte-americanas, que acredita que o casal consegue ser feliz dentro das próprias dinâmicas, que para Melania implicam não dividir religiosamente a vida com o marido, mas sim ter a sua independência, em Nova Iorque, e depois, períodos em que coincide com Trump.
"Penso que isto é um tipo de casamento que para eles funciona. Se calhar não é a vossa definição de felicidade, pode não ser a minha, mas é certamente a deles. E acho que neste caso há muitas palavras desperdiçadas."
O OUTRO LADO DA HISTÓRIA
Nos Estados Unidos, as teorias dividem-se, portanto, entre quem acha que este é um casamento com uma realidade muito própria, mas que funciona até àqueles que dizem que é um puro contrato.
Desse lado da facção temos o autor Michael Wolff, que tem seguido os passos do presidente dos Estados Unidos e que afirmou, peremptoriamente, ao programa '60 Minutes' que o casal não está mais junto, no sentido romântico do termo.
"A uma dada altura, perguntei a uma pessoa que é muito próxima deles: 'Então, mas afinal o que é que passa?' E essa pessoa olhou para mim como se fosse idiota e disse: "Ela odeia-o. Esta é a verdade'".
De acordo com o autor, apenas os liga um contrato, com muito dinheiro envolvido, e que impede que a separação seja efetiva. "São duas pessoas que vivem vidas separados, tudo é feito em separado. Eles não estão juntos."
Segundo Wolff, este sentimento foi crescendo em Melania com os constantes escândalos sexuais do marido, ao ponto de o que esta sentia se ter transformado em qualquer coisa próximo do "nojo e desprezo".
"Ele tem aquele historial e é um tipo que só pensa nele. Não ouve ninguém, acham que ouve sequer a mulher? Querem que continue?"
Teorias à parte, Trump e Melania mantêm-se casados desde 2005, têm um filho, Barron, e a Casa Branca admite que tudo o que se possa dizer sobre o assunto é pura ficção.