Prepare os óculos de eclipse! Esta quarta-feira, 12 de agosto, será um dia especial para quem gosta de olhar para o céu. A Lua vai passar entre a Terra e o Sol, provocando um eclipse solar que poderá ser observado em Portugal. No entanto, há uma diferença importante entre o que será visto no Norte e no resto do País.
Na maior parte de Portugal continental, o fenómeno será parcial, embora com uma percentagem de ocultação muito elevada. Apenas uma pequena área do extremo nordeste, no Parque Natural de Montesinho, no concelho de Bragança, ficará dentro da faixa de totalidade. É aí que, durante alguns segundos, a Lua irá tapar completamente o disco solar.
Onde será possível ver o eclipse em Portugal?
A resposta curta é em praticamente todo o País. O eclipse será visível no continente e também nos arquipélagos, embora a percentagem do Sol escondida pela Lua varie bastante. No continente, a ocultação será maior quanto mais a norte estivermos. Em Lisboa, por exemplo, cerca de 95% do disco solar ficará coberto, enquanto no Porto a percentagem será superior a 98%. Já em Faro será inferior, mas ainda assim superior a 90%. Nos Açores e na Madeira, o eclipse será menos profundo.
E se estiver em Lisboa?
Também vai conseguir ver o fenómeno. Na capital, o eclipse parcial começa por volta das 18h39, atinge o máximo aproximadamente às 19h36, com cerca de 95% do Sol ocultado, e termina por volta das 20h29.
Ou seja, mesmo quem não viajar para o Norte poderá assistir a um espetáculo bastante impressionante. O problema é que, nesta altura do dia, o Sol estará relativamente baixo no céu. Por isso, é fundamental escolher um local com horizonte virado para oeste e sem prédios, árvores ou outros obstáculos.
Quanto tempo vai durar?
Aqui é importante distinguir a duração do eclipse da duração da totalidade.
Em Portugal, o fenómeno prolonga-se por cerca de duas horas, mas o período em que o Sol fica mais tapado dura apenas alguns minutos. No caso de Lisboa, por exemplo, são cerca de 50 minutos entre o início do eclipse e o momento em que termina, mas a passagem da Lua sobre o Sol ocorre progressivamente. O Sol ficará completamente coberto durante cerca de 26 segundos, no máximo, dependendo do ponto exato onde estiver.
Como observar o eclipse sem colocar os olhos em risco?
Este é o ponto mais importante, uma vez que nunca deve olhar diretamente para o sol sem proteção adequada. Óculos de sol normais não servem, mesmo que sejam muito escuros. Durante as fases parciais, deve utilizar óculos específicos para eclipses ou um visor solar adequado, que cumpra a norma internacional ISO 12312-2.
Também não deve olhar para o Sol através de binóculos, telescópios ou uma máquina fotográfica usando apenas os óculos de eclipse. Estes equipamentos concentram a luz solar e podem provocar lesões graves. Para observar o Sol através de instrumentos óticos é necessário um filtro solar próprio instalado na parte frontal do equipamento.
As crianças podem ver o eclipse?
Sim, as crianças podem e devem poder desfrutar do eclipse, desde que sejam acompanhadas por um adulto e cumpram exatamente as mesmas regras de segurança. Durante as fases parciais, nunca devem olhar diretamente para o Sol, mesmo por breves instantes, e devem utilizar óculos específicos para eclipses que cumpram a norma ISO 12312-2. Os adultos devem verificar se os óculos estão bem colocados e incentivar as crianças a não os retirar enquanto estiverem a observar o Sol.
Ainda vai a tempo de arranjar óculos?
Sim, mas convém não deixar para a última hora. Uma das iniciativas disponíveis em Portugal é a distribuição de óculos de eclipse gratuitos através da rede Club da Visão da ZEISS, com levantamento em óticas aderentes. A inscrição é obrigatória e está sujeita ao stock disponível.
Se optar por comprar, confirme sempre a origem do produto e procure informação sobre a conformidade com a ISO 12312-2. Evite modelos improvisados, filtros caseiros ou óculos cuja certificação não consiga confirmar.
E as estrelas, vão aparecer durante o eclipse?
Durante a totalidade, sim, algumas estrelas e planetas brilhantes podem tornar-se visíveis porque o céu escurece significativamente. No entanto, em Portugal continental, a maior parte do País terá apenas um eclipse parcial. Mesmo com uma ocultação muito elevada, não se deve esperar o mesmo céu escuro que existe dentro da faixa de totalidade.
E há uma curiosidade ainda melhor para quem ficar acordado nessa noite: 12 de agosto coincide com o período de máximo da chuva de meteoros das Perseidas. Esta é uma das chuvas de estrelas cadentes mais conhecidas do ano e atinge o pico em meados de agosto.
A proximidade da Lua Nova torna 2026 particularmente interessante para observar as Perseidas, porque haverá pouca luz lunar a interferir com a observação do céu. Depois de o eclipse terminar e a noite avançar, quem estiver num local escuro e afastado da poluição luminosa poderá tentar observar meteoros.