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Morte de Carlos Paião. Jorge, o condutor, sobreviveu ao fatídico acidente e conta tudo: "Acordei no alcatrão, com um monte de pernas à minha volta, cheio de sede"

Quinze minutos entre o Carregado e Amieira, em Rio Maior, foi quanto bastou para uma colisão frontal com um camião ceifar a vida ao autor de 'Playback', o cantor e médico Carlos Paião.
João Bénard Garcia
Morte de Carlos Paião. Jorge, o condutor, sobreviveu e conta tudo: "Acordei no alcatrão, com um monte de pernas à minha volta, cheio de sede"
Carlos Paião
Carlos Paião
Carlos Paião
Zaida Cardoso e Carlos Paião
Zaida Cardoso, viúva de Carlos Paião
carlos paião
Carlos Paião
Carlos Paião
Carlos Paião
Carlos Paião
Zaida Cardoso e Carlos Paião
Zaida Cardoso, viúva de Carlos Paião
carlos paião
Carlos Paião

Dias antes de morrer, Carlos Paião andava a ler um livro sobre a história de uma rapariga que sofre um acidente de carro e tem uma experiência de quase morte. Quem conta é Jorge Esteves, o técnico de som de Carlos Paião, então com 25 anos, o único sobrevivente do fatídico e violento acidente que matou o autor de 'Pó de Arroz' e o técnico e amigo Carlos Miguel Sousa.

Trinta anos depois do triste episódio que tirou a vida ao médio e promissor cantor e compositor, Jorge Esteves vive em Torres Novas, mudou de profissão e levou com ele para o interior do País a mulher, Elsa. Num relato impressionante e detalhado, contou à revista 'Sábado' como tudo aconteceu pouco antes das 15 horas do dia 26 de agosto de 1988, quando os ponteiros pararam... para duas vidas... e deixaram outras tantas em suspenso.

Depois de apanharem o também colega e amigo Carlos Miguel Sousa em Lisboa, puseram-se a caminho. Jorge Esteves, a pedido do intérprete de 'Playback', passou para o volante da velha carrinha Datsun Urvan, que ia ser finalmente substituída por uma nova . "Alternávamos sempre os dois – o Carlos Miguel não conduzia. Estava um calor daqueles! Quando cheguei ao Carregado tirei a t-shirt e fui a guiar assim. Eles iam os dois a dormir." É das últimas coisas de que se recorda: "Passado um quarto de hora estava sentado no alcatrão, a acordar, com um monte de pernas à minha volta, cheio de sede."

Segundo o relato do condutor, foi já dentro da ambulância, que avisou os bombeiros de que a carrinha levava mais dois passageiros. Passou por quatro hospitais nesse dia e os médicos chegaram a ponderar amputar-lhe um pé. Quando lhe disseram que os amigos estavam em Vila Franca de Xira, ficou mais aliviado: "Estão melhores do que eu, senão também tinham vindo para Lisboa".

Nesse dia, a mulher de Carlos Paião foi a Caxias, falar com Elsa, a esposa de Jorge: "Diz ao Jorge que eu sei que ele não teve culpa". Elsa preferiu manter o marido na ignorância: o técnico de som só soube que Carlos Miguel Sousa e Carlos Paião tinham morrido dois dias depois, já o País sabia da morte inesperada do compositor e vencedor do 'Festival da Canção da RTP', em 1981.

Os óbitos foram declarados ainda na Estrada Nacional 1, na zona de Rio Maior, cerca das 15h, apenas um dia depois do também histórico incêndio do Chiado. O cantor – que, recordam os amigos, era muito espiritual, acreditava na vida depois da morte e, por isso, gostava de dizer que nunca desapareceria – não resistiu ao violento embate frontal da Datsun Urvan com um camião que circulava em sentido contrário. 

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