Longe da confusão das praias do Algarve, há um recanto que continua a despertar a curiosidade de quem procura descobrir os lugares da região. Em Santo Estêvão, a cerca de 10 quilómetros de Tavira, encontra-se o Pego do Inferno, uma cascata com cerca de três metros de altura que desagua numa lagoa rodeada por vegetação.
A cascata faz parte de um conjunto de três quedas de água existentes na ribeira da Asseca, juntamente com a Cascata da Torre e a Cascata do Pomarinho. A paisagem natural, marcada pelo verde da vegetação e pela água, tornou durante anos o Pego do Inferno num dos locais mais procurados por quem queria fugir às praias mais movimentadas do Algarve.
O local chegou mesmo a receber quase mil pessoas por dia durante o verão. Porém, a elevada afluência acabou por trazer problemas de lixo e degradação da vegetação. Hoje, a realidade é bem diferente. O Pego do Inferno está oficialmente encerrado ao público desde 2012, depois de um incêndio ter destruído os passadiços, a ponte e as escadas de madeira que garantiam um acesso mais seguro à cascata. Desde então, os acessos não foram repostos.
Apesar do encerramento, o Pego do Inferno continua a alimentar a curiosidade de muitos visitantes e mantém o estatuto de um dos recantos mais misteriosos de Tavira.
E há uma razão para o próprio nome despertar atenção. Segundo uma antiga lenda, uma carroça terá caído para dentro da lagoa com os seus ocupantes. Nunca ninguém teria conseguido encontrar os animais, as pessoas ou sequer o veículo, alimentando a história de que aquela água seria tão profunda que nem os mergulhadores conseguiam alcançar o fundo. Terá sido assim que nasceu o nome 'Pego do Inferno'.
Entre uma cascata escondida, uma lagoa de águas esverdeadas e uma história que atravessou gerações, o Pego do Inferno continua a ser um dos lugares mais curiosos do Algarve, mesmo depois de ter perdido o acesso turístico que um dia o tornou tão popular.