Bastou um teste de ADN e o reconhecimento oficial para que Clément Vandenkerckhove, de 26 anos, passasse a integrar a família real belga e pudesse assumir um título que dificilmente alguma vez imaginou usar: príncipe da Bélgica. A mudança na vida de Clément aconteceu de forma discreta. Em fevereiro deste ano, o jovem acompanhou o pai, o príncipe Laurent, a um registo civil, onde a paternidade foi finalmente oficializada. A notícia só se tornou pública este mês de agosto, quase um ano depois de Laurent ter assumido publicamente que era o pai biológico do jovem.
A história, contudo, começou muito antes. Clément nasceu em 2000, fruto da relação que Laurent manteve durante vários anos com Iris Vandenkerckhove, conhecida artisticamente como Wendy Van Wanten, cantora, modelo e atriz flamenga. Na altura, Laurent ainda não era casado com Claire Coombs, com quem viria a casar em 2003. O casal teria posteriormente três filhos: Louise, Nicolas e Aymeric.
Durante a infância, Clément cresceu sem saber oficialmente quem era o pai. A mãe decidiu contar-lhe a verdade quando tinha 16 anos. Quatro anos depois, já com 20, foi o próprio jovem que tomou a iniciativa de contactar Laurent. Começava aí uma relação que demorou a tornar-se pública e, sobretudo, oficial.
A confirmação acabou por chegar através de um teste de ADN. O resultado apontou para uma correspondência de 99,5%, acabando com as dúvidas sobre a paternidade. Em setembro de 2025, Laurent assumiu publicamente que Clément era seu filho biológico. Mas entre saber quem era o pai e passar a fazer parte oficialmente da família real havia ainda um passo.
Esse momento chegou este ano. A partir do reconhecimento legal, Clément passou a ter direito ao título de príncipe da Bélgica e ao tratamento de Alteza Real. A legislação belga não estabelece uma distinção, neste caso, entre filhos nascidos dentro ou fora do casamento: uma vez reconhecida a filiação, estão reunidas as condições para a atribuição do título.
A mudança de estatuto, no entanto, tem limites. Clément não entra na linha de sucessão ao trono, não terá funções oficiais na monarquia e não receberá uma dotação pública. O novo título também não significa que tenha de abandonar a vida discreta que levou até aqui. E há uma coisa que parece não querer mudar: o apelido.
Apesar de poder adotar o nome da família real, Clément mantém Vandenkerckhove. O jovem explicou que tem orgulho no apelido que recebeu da mãe e que não quer apagar aquilo que ela fez por ele. A aproximação ao pai parece, contudo, estar a ser vivida de outra forma. Clément já falou publicamente sobre a relação que os dois estão a construir e sobre o facto de Laurent ter passado a estar presente na sua vida. Os dois partilham, curiosamente, uma paixão por automóveis — um detalhe particularmente simbólico para alguém que trabalha precisamente nesse universo.
Clément passa assim a integrar oficialmente uma família que conhece bem as histórias de filhos nascidos fora do casamento. O caso mais conhecido é o de Delphine Boël, filha do rei Alberto II. Durante anos, a sua paternidade foi negada, até que uma longa batalha judicial terminou com o reconhecimento de Alberto II. Delphine recebeu posteriormente o título de princesa da Bélgica.