Por detrás de um dos compromissos públicos da rainha Camilla escondia-se uma dor que poucos conheciam. Em janeiro de 2024, a mulher de Carlos III inaugurou o Maggie’s Royal Free, em Londres, apenas dias depois de o rei ter recebido a notícia de que tinha cancro. Agora, dois anos e meio depois, Camilla recorda a angústia que viveu naquela altura.
As memórias foram partilhadas numa curta-metragem que assinala os 30 anos da instituição Maggie’s, dedicada ao apoio de pessoas com cancro e das respetivas famílias. Numa conversa com a CEO da organização, Dame Laura Lee, a rainha confessou que a visita ao centro aconteceu num dos períodos mais difíceis da sua vida.
Camilla revelou que, na altura, sentia uma enorme vontade de falar sobre o que estava a acontecer com o marido, mas sabia que não podia revelar a informação.
"Lembro-me de ter ido visitar um Maggie’s logo após o diagnóstico do Rei. Ninguém conseguia dizer nada naquela altura. Foi bastante difícil. Quase disse alguma coisa, mas, sabes, senti que não era o momento certo para falar", recordou.
A rainha explicou que, durante a visita, acabou por olhar para os pacientes e para os familiares de uma forma diferente, percebendo ainda mais profundamente a importância dos espaços de apoio criados pela instituição.
"Olhei para todas as pessoas que estavam a sofrer e para todos os familiares, e acho que isso me fez perceber ainda mais a importância destes locais. Estava ansiosa por desabafar, mas, obviamente, não podia", confessou.
Com tantas perguntas na cabeça e sem poder falar sobre o que estava a viver em casa, Camilla admite que acabou por abordar os pacientes de uma forma pouco habitual. Em vez da habitual conversa, sentiu quase que estava a interrogá-los.
"Estava quase a questioná-los", admitiu a rainha. "Não o fiz, sabes, não queria intrometer-me demasiado… Estava apenas a conversar com eles, mas… senti que era algo muito mais profundo", acrescentou.
Poucos dias depois daquela visita, o Palácio de Buckingham confirmou publicamente que Carlos III tinha sido diagnosticado com cancro. O diagnóstico surgiu na sequência de uma intervenção cirúrgica a que o monarca foi submetido devido a um aumento benigno da próstata.
Desde então, o Palácio não revelou qual o tipo de cancro de que sofre o rei nem a zona do corpo afetada. Carlos III tem, contudo, continuado a cumprir alguns compromissos públicos enquanto realiza os tratamentos.
Em dezembro de 2025, o monarca revelou que o tratamento estava a decorrer de forma positiva e que, ao longo de 2026, seria possível reduzir a frequência das sessões.
Agora, através deste testemunho, Camilla mostra um lado mais íntimo daquele período e revela como foi difícil manter em silêncio uma notícia que tinha acabado de abalar profundamente a família real britânica.