Carlos III deu início às férias de verão no Castelo de Mey, na Escócia, e decidiu começar esta temporada de descanso com uma homenagem especial. O monarca assinalou os 50 anos da Equipa de Resgate da Montanha de Assynt, numa cerimónia que acabou por ganhar um significado ainda mais pessoal quando recordou um dos momentos mais traumáticos da sua vida.
Durante o discurso, o rei fez questão de agradecer aos elementos da equipa pelo trabalho que têm desenvolvido ao longo de cinco décadas e pelos riscos que assumem para salvar outras vidas. As palavras de Carlos III emocionaram Ben Dyson, líder da equipa de resgate.
"O Rei falou do perigo que correu naquela avalanche, no contexto dos riscos que as montanhas acarretam... Obviamente, depois de todos estes anos, esse acontecimento continua muito presente na sua memória, mas deu-lhe uma perspetiva realista sobre o valioso trabalho que realizamos e os perigos que enfrentamos", revelou.
O episódio a que Carlos III se referia aconteceu a 10 de março de 1988, durante uma viagem à neve com um grupo de amigos próximos. Na altura, ainda como Príncipe de Gales, o atual monarca encontrava-se nas montanhas de Gotschnagrat, na Suíça, acompanhado pelo comandante Hugh Lindsay, por Patti Palmer-Tomkinson, pela Princesa Diana e por Sarah Ferguson.
Enquanto a princesa Diana e Sarah Ferguson permaneceram no resort, Carlos, Hugh e Patti aventuraram-se pelas pistas. Foi então que uma avalanche atingiu a comitiva. Hugh Lindsay acabou por morrer, enquanto Patti Palmer-Tomkinson sofreu ferimentos graves. Carlos permaneceu junto da amiga enquanto aguardavam pela chegada da equipa de socorro.
Anos mais tarde, o atual rei recordou o momento aterrador. "A próxima coisa que ouvi foi a voz do Bruno a gritar: 'Salta!'. Aquela gigantesca massa em movimento de neve, composta por enormes blocos, caiu sobre nós. Nunca na minha vida tinha visto nada tão assustador. Um turbilhão impressionante", contou, referindo-se ao guia que os acompanhava.
Enquanto aguardava pelo resgate, Carlos tentou manter Patti consciente e tranquilizá-la. "Sentei-me com ela naquele buraco. Quando as pessoas estão inconscientes, o importante é falar com elas e animá-las. Continuei a falar com ela e disse-lhe: 'Patty, vai correr tudo bem. Não há motivo para te preocupares agora. Vamos tirar-te daqui'. Aos poucos, ela começou a murmurar", recordou.
Décadas depois, a memória daquela tragédia continua bem presente na vida de Carlos III. Desta vez, o monarca decidiu recordá-la para homenagear aqueles que, todos os dias, enfrentam o perigo para salvar a vida de outras pessoas.