A descoberta de quatro cadáveres agrava o escândalo policial na ilha de Jeju, uma zona turística da Coreia do Sul. Este país asiático regista mais de 70 mil desaparecimentos de adultos por ano. Apesar desse facto, cerca de 99% dos casos são dados como resolvidos no prazo de um mês. No caso destes quatro corpos, foram transmitidas falsas informações aos familiares, tendo um policial dito que as pessoas tinham desaparecido ou ido embora por sua livre vontade, encerrando os processos prematuramente.
Quatro pessoas dadas como desaparecidas foram agora encontradas mortas na ilha de Jeju, na Coreia do Sul, enquanto a polícia nacional enfrenta críticas por alegadas falhas na investigação de casos de desaparecimento. Um sargento foi detido por suspeitas de ter encerrado processos prematuramente e dado informações falsas às famílias, levando o Presidente sul-coreano a ordenar uma reforma total da polícia, segundo avança a BBC.
O caso ganhou maior dimensão depois de ter sido revelado que um polícia, identificado pelo apelido Bu, terá encerrado prematuramente vários processos e mentido às famílias das vítimas. O agente foi, entretanto, detido e quatro superiores hierárquicos foram colocados em licença administrativa, enquanto decorrem as averiguações. Entre os cadáveres encontrados está o de Jang Mi-ran, de 37 anos, desaparecida desde maio. O corpo foi localizado em adiantado estado de decomposição numa plantação de palmeiras, a cerca de 500 metros do local onde a turista estava hospedada. A polícia acredita que terá cometido suicídio, mas mesmo aqui nada é garantido.
O agente Bu é suspeito de ter encerrado o caso sem ter confirmado sequer o paradeiro da mulher. Segundo a imprensa local, terá dito ao namorado de Jang que tinha falado com ela por telefone e que esta não queria voltar a falar com o companheiro. Outro dos corpos encontrados em Jeju pertence a um homem de 60 anos, desaparecido desde 28 de junho. A família terá sido informada pelo polícia de que o homem estava "em segurança", mas que não queria revelar o seu paradeiro. O corpo foi encontrado 51 dias depois.
Os outros dois corpos foram encontrados em aldeias costeiras da ilha nos últimos dias. Ainda não se sabe se os casos de desaparecimento estavam entre os processos acompanhados pelo polícia Bu, mas as autoridades do país estão agora a rever todos os quase 300 casos de desaparecimento tratados pelo mesmo polícia.
Na sequência do escândalo, o Presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, ordenou uma reforma abrangente da polícia e criticou aquilo que classificou como falhas disciplinares e irresponsabilidade em matéria de segurança pública. O chefe nacional da polícia admitiu também que existe "uma falha no sistema".