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O dramático caso dos dois irmãos franceses, de 3 e 5 anos, abandonados pela mãe e pelo padrasto na região de Alcácer do Sal e Comporta, ganha um novo capítulo. O pai biológico dos menores, que até agora se tinha mantido no anonimato, quebrou o silêncio para lançar uma campanha pública de angariação de fundos. Segundo avança o 'Correio da Manhã', o objetivo declarado pelo progenitor é conseguir estabilidade financeira para resgatar os filhos, mas as autoridades francesas de segurança social fazem um cenário pouco favorável às suas intenções.
A realidade deste homem está longe de oferecer o porto seguro de que Barthélémy e Zacharie precisam. Sem trabalho e a passar graves dificuldades financeiras, o pai dos meninos vive atualmente numa barraca e enfrenta problemas associados ao alcoolismo. Um histórico pesado que já se arrasta desde o tempo em que mantinha uma relação com a mãe das crianças e que justifica o facto de, mesmo antes do mediático abandono em Portugal, não ter a custódia dos filhos, estando as suas visitas sujeitas a uma rigorosa supervisão parental.
As debilidades do progenitor foram também analisadas por Carlos Anjos, comentador de assuntos criminais e judiciais, em declarações à FLASH!. "O pai dos miúdos pediu ajuda à segurança social francesa, o que é normal. O sistema de segurança social é melhor, mas não chega a todos. Só que depois tem muito a ver com o que ele não faz", explica o especialista. Carlos Anjos revela ainda as informações transmitidas pelas entidades gaulesas: "Aquilo que nos disseram é que aquele pai, neste momento, não tem condições para possibilitar uma vida condigna aos filhos, uma estabilidade que permita uma educação normal".
Enquanto o pai tenta reunir dinheiro através de um comunicado enviado às redações francesas – suspeitando-se de que tenha sido redigido com o auxílio de um advogado –, o relógio corre contra a reunificação familiar. Até ao momento, mais nenhum familiar direto, entre avós, tios ou primos, deu sinais de vida ou se voluntariou para assumir a guarda provisória dos menores.
Depois de terem sido resgatados em Portugal, internados no Hospital de Setúbal e acolhidos temporariamente por uma família francesa no nosso País, os dois irmãos foram transferidos na semana passada para uma instituição social em Colmar, França. Sem familiares capazes de assegurar o seu bem-estar, o destino mais provável das crianças será a integração no sistema de adoção. À margem do futuro dos meninos, a mãe, Marine Rousseau, de 41 anos, e o namorado, Marc Ballabriga, de 55, continuam em prisão preventiva após terem sido detidos pela GNR num café em Fátima.