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A cortina vai fechar-se em Nova Iorque. 11 anos depois de ter assumido o legado de David Letterman, Stephen Colbert despede-se esta quinta-feira, 21 de maio, do comando do programa de entrevistas e humor 'The Late Show'. O que era para ser apenas a última página de um dos capítulos mais brilhantes da televisão norte-americana transformou-se, no entanto, num verdadeiro manifesto nacional, com as alegações de que Colbert foi afastado pela Paramount – dona da CBS –, por pressão da adminstração de Donald Trump, o principal alvo dos monólogos de Colbert, que nunca recuou nas críticas e na sátira ao presidente norte-americano.
A despedida do humorista de 62 anos está envolvida em segredo absoluto, com Colbert a não revelar quem vão ser os seus últimos convidados, a fechar este capítulo da sua vida. Entretanto, ficou a saber-se que a concorrência direta – Jimmy Kimmel e Jimmy Fallon –, num gesto de solidariedade, não vai emitir programas novos. Ambos decidiram exibir repetições dos respetivos programas, em sinal de respeito pelo colega rival e amigo.
A Paramount, empresa detentora da CBS, apressou-se a justificar o cancelamento do formato de forma pragmática, apontando para razões puramente financeiras, num cenário que classificam como desafiante para os talk shows noturnos. Ainda que o 'The Late Show' fosse o programa mais visto, em termos de audiências, neste género de formato, a direção do canal garantiu que o desfecho não se prende com as audiências, com o conteúdo ou com outros assuntos internos da empresa.
No entanto, a explicação oficial não convenceu os fãs de Stephen Colbert nem os defensores da liberdade de expressão, que veem questões políticas neste cancelamento forçado. As suspeitas de alegadas pressões por parte da administração de Donald Trump ganharam força na opinião pública norte-americana, especialmente após o afastamento de Jimmy Kimmel da ABC, em setembro passado, num processo que muitos críticos consideram semelhante. O programa de Kimmel regressou ao fim de quase uma semana de suspenção, depois da Disney – dona da ABC – ter revertido a decisão.
Donald Trump foi, desde a primeira hora, o alvo predileto do humor mordaz de Colbert. O clima de crispação atingiu o auge quando a Paramount aceitou pagar cerca de 13,8 milhões de euros a Trump para encerrar um litígio judicial relacionado com o programa '60 Minutos'. Uma cedência que aconteceu precisamente numa altura em que a multinacional finalizava uma fusão milionária com a Skydance, que necessitava da aprovação da própria Administração norte-americana. Na altura, Colbert não poupou os 'patrões' em direto, classificando publicamente o acordo como um "grande e gordo suborno".
O próprio Trump nunca escondeu o seu desagrado para com o comediante. Aquando do anúncio do cancelamento, no verão passado, o atual presidente dos EUA recorreu à rede social Truth Social para festejar abertamente, afirmando que adorou o facto de Colbert ter sido despedido e atirando que o talento do apresentador era ainda menor do que a sua audiência.
Mesmo nos seus últimos dias de programa, Colbert não baixou o tom. Numa das emissões desta semana, ironizou sobre o recente acordo fiscal que ilibou Trump e a sua família junto do IRS, comparando-o a um "cartão grátis para sair da prisão", e acrescentando, em tom provocatório, que o mesmo foi melhor do que o recebido pelo falecido pedófilo Jeffrey Epstein.
Com o afastamentio dos ecrãs, o futuro de Colbert já está traçado longe do comentário e sátira políticos. Depois de um período de férias para viajar com a família, o humorista vai canalizar a sua conhecida paixão pela obra de J.R.R. Tolkien para o cinema. Colbert revelou que vai integrar a equipa de argumentistas do próximo filme da saga 'O Senhor dos Anéis', trabalhando em parceria com o realizador Peter Jackson, a argumentista Philippa Boyens e o seu próprio filho, Peter.