Era suposto ser um momento de homenagem a um dos heróis do 11 de Setembro. Donald Trump recordava Welles Crowther, que ficou conhecido como “o homem da bandana vermelha” depois de ajudar várias pessoas a escapar da Torre Sul do World Trade Center. Mas uma observação do presidente dos Estados Unidos acabou por dominar as atenções e provocar uma onda de críticas e indignação nas redes sociais.
Durante a cerimónia, Trump começou por recordar a história de Crowther, um jovem corretor de bolsa e bombeiro voluntário que, aos 24 anos, entrou repetidamente na zona devastada da Torre Sul para ajudar pessoas que não conseguiam sair pelos próprios meios.
Crowther usava uma bandana vermelha que lhe tinha sido oferecida pelo pai quando era criança. Colocou-a sobre o rosto para se proteger do fumo e continuou a ajudar outras pessoas, acabando por salvar pelo menos 18 vidas antes do colapso do edifício. Não sobreviveu.
Foi esta história que Trump decidiu homenagear ao anunciar, a título póstumo, a atribuição da Medalha Presidencial da Liberdade a Crowther. “Hoje recordamos também outro herói do 11 de Setembro”, começou por dizer o presidente dos Estados Unidos, antes de descrever a situação vivida pelas pessoas que se encontravam no 78.º andar da Torre Sul depois de o avião atingir o edifício.
“Um grupo de pessoas no 78.º andar ficou preso, com ossos partidos, pele e olhos queimados e os pulmões cheios de fumo negro. A morte estava por todo o lado. Era certa.” Segundo o relato feito por Trump, aquelas pessoas acreditavam que não conseguiriam sobreviver quando surgiu alguém para as ajudar.
“Tinham a certeza de que iam morrer. Então, de repente, apareceu um socorrista. Chamam-lhe ‘o homem da bandana vermelha’”, afirmou. Foi então que o presidente norte-americano se afastou do discurso que tinha preparado. Depois de perguntar ao público se conhecia a expressão pela qual Crowther ficou conhecido, acabou por fazer um comentário sobre a notoriedade do próprio herói.
“Já ouviram esse termo? Ele tornou-se mais famoso do que eu. Não gosto disso. Estou muito descontente, mas tornou-se muito mais famoso do que eu.” Depois de uma breve gargalhada, o presidente retomou o discurso. Mas, nas redes sociais, a reação foi bem diferente. Entre os comentários publicados após a cerimónia, houve quem considerasse a observação de Trump particularmente desadequada naquele contexto.
“Que vergonha para o nosso país e para o Partido Republicano”, escreveu um utilizador na rede social X. Outro considerou que aquele dia não era uma “competição” para determinar quem era mais famoso. Houve ainda quem questionasse: “Ele consegue falar de alguma coisa sem tornar o assunto sobre ele?”
A cerimónia ficou ainda marcada por outro momento controverso protagonizado pelo presidente norte-americano. Durante o discurso, Trump recordou também aquilo que afirma ter vivido na sequência dos ataques de 11 de Setembro e garantiu que chegou a deslocar-se para a zona afetada para ajudar. Segundo a versão apresentada pelo próprio, acabou por ser retirado do local por dois bombeiros, perante o receio de que um edifício vizinho estivesse prestes a ruir.
“Nunca vou esquecer dois bombeiros. Pensámos que aquilo estava a cair em cima de nós e dois bombeiros — homens grandes e fortes — e eu não sou propriamente um homem pequeno — agarraram-me pelos braços e disseram: ‘Temos de sair daqui’.” Trump continuou: “E literalmente levantaram-me. Não é fácil fazer isso. Sou grande. Levantaram-me e começaram a correr comigo. Eu disse: ‘Rapazes, consigo correr sozinho’. Mas foram incríveis, porque pensaram que aquilo ia cair; não caiu.”
As declarações do presidente sobre a sua presença no local já tinham sido contestadas anteriormente, incluindo por familiares, que colocaram em causa a versão de que Donald Trump teria participado nos esforços de socorro após os ataques.