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Dor

A dor pelo pai que Marcelo Rebelo de Sousa não esquece recordada no momento do adeus

Presidente da República prepara-se para dizer adeus a Belém depois de dois mandatos.
08 de março de 2026 às 11:03

Marcelo Rebelo de Sousa fecha a porta do seu gabinete em Belém na próxima segunda-feira, dia 9 de março, depois de dois mandatos de muitas selfies, momentos bons, mas também de polémica e tensão. Para assinalar o momento em que o Presidente se despede de funções, a SIC emitiu a entrevista dada por Marcelo ao programa 'Alta Definição' em 2019.

Numa conversa intimista, o presidente dos afetos falou sobre um dos momentos mais duros da sua vida, quando perdeu o pai, Baltazar Rebelo de Sousa, que morreu a 1 de dezembro de 2002, aos 81 anos.

"No dia 30 de novembro [de 2002], eu tinha sido feito Confrade dos Vinhos da Bairrada, no Grande Hotel de Buçaco, e depois não tinha transportes para Lisboa. E tinha sido o Correio da Manhã a fazer uma reportagem lá, tinha ido toda a equipa num carro muito pequenino, muito pequenino, a jornalista, o fotógrafo, o motorista, eu", começou por contar, acrescentando que durante a viagem esteve várias vezes à conversa com o pai.

"Partimos às tantas da manhã e eu ia telefonando ao meu pai, porque ele estava preocupado como é que eu chegaria a casa, e foi passada a madrugada nisso... E o meu pai morreu no dia seguinte de manhãzinha, o que significa que eu falei com ele até quatro ou cinco horas antes dele morrer", recordou.

Por essa altura, Marcelo já tinha plena consciência da fragilidade do pai, uma vez que três anos antes, havia assistido a um episódio limite com o progenitor.

"Um dia, estava no partido e chamaram-me, o meu pai estava muito mal e não conseguiam reanimá-lo e teve de ser com choques elétricos, no quarto, com vários cardiologistas amigos a assistir, eu também assisti. Marcou-me muito porque eu já tinha tido a ideia que me levou a escrever a fotobiografia do meu pai, que é fazer a homenagem em vida, e passar com ele o máximo de tempo possível, num tempo que eu sabia que era curto, [e] passei a ter mais essa obsessão. O tempo é curto, e aproveitei aqueles últimos três anos. Nisso, ainda bem que saí da liderança do partido porque se estivesse lá não tinha sido possível", afirmou na entrevista.

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