João Braga, de 81 anos, esteve internado durante quase dois meses no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, devido a uma ferida no calcanhar que se complicou por causa da diabetes. O problema terá começado no final do ano, durante um concerto no São Jorge, quando o artista desenvolveu uma bolha no pé após ter estado cerca de três horas em palco. “Fiz uma bolha nos calcanhares porque estive de pé durante três horas. Foi uma estupidez da minha parte. A bolha do pé esquerdo passou rápido, mas a do pé direito complicou-se”, explicou ao Correio da Manhã.
Inicialmente tratado no Hospital da Luz, em Lisboa, o fadista acabou por ser transferido a 30 de abril para o Hospital Curry Cabral, também na capital, onde permaneceu internado durante o restante período de recuperação.
Para além da ferida no pé direito, João Braga descreve que a experiência hospitalar não terá sido fácil. Durante o período de internamento, o fadista afirma ter presenciado “coisas muito estranhas”, que considera pouco habituais num contexto hospitalar. Entre os episódios relatados, refere que, após o banho, lhe eram entregues lençóis da cama em vez de toalhas para se secar: “A seguir ao banho davam-me lençóis da cama para me limpar em vez de toalhas de banho”, conta. Acrescenta ainda que chegaram a faltar compressas, situação que diz ter considerado “muito estranha para um hospital”.
Mas, segundo o próprio, o episódio mais marcante do internamento terá sido uma visita de uma auxiliar ao quarto. João Braga afirma que a funcionária o terá insultado sem qualquer motivo aparente: “Um dia entrou-me uma auxiliar no quarto a insultar-me de tudo, sem eu nunca ter falado com ela. Chegou ao pé da minha cama e disse-me: ‘Tu estás a morrer! A tua vida já a viveste’”, relata. O fadista acrescenta ainda que, ao pedir que a mulher se retirasse, esta lhe terá atirado com um urinol. "Mandei-a sair do quarto e ela atirou-me com o urinol para cima", recorda.
Em paralelo, os primeiros médicos que o acompanharam terão assegurado que a ferida poderia ser tratada com sucesso através dos procedimentos adequados. O fadista explica que chegou a realizar tratamentos com pensos a vácuo e que lhe era dito que a evolução era positiva. Ainda assim, sublinha a sua preferência por uma abordagem mais cautelosa: “Dizem-me que a cirurgia é mais rápida, mas eu estou-me nas tintas. Eu quero é que seja seguro”, terá afirmado.
Mais tarde, João Braga conta que surgiu um novo elemento no processo clínico, o que lhe gerou dúvidas. “Mas entretanto apareceu aqui um rapaz novo a dizer que eu ia ser transferido para o São José para ser operado em cirurgia plástica, algo que contraria o que me foi dito. Essa pessoa pediu-me para assinar uns papéis para fazer a transferência, mas eu disse que não assinava nada”, refere o fadista.
Atualmente, João Braga já teve alta hospitalar e aguarda uma vaga numa unidade de cuidados continuados, em Lisboa ou Cascais. O artista explica que o período prolongado de imobilização acabou por afetar a sua mobilidade.