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O radialista e humorista Nuno Markl, de 54 anos de idade, esteve num cinema do Centro Comercial Vasco da Gama, em Lisboa, para apresentar o projeto cinematográfico de 'O Homem que Mordeu o Cão', que começará a gravar em setembro próximo, quase um ano após ter sofrido um Acidente Vascular Cerebral, vulgarmente designado pelo acrónimo AVC. Ao lado do realizador Sérgio Graciano e do produtor executivo José Amaral, os dois homens que o vão apoiar nesta aventura, Markl explicou ter feito "uma pausa na intensa fisioterapia para dar um salto aqui ao lado, ao Vasco da Gama, para estar ao lado dos meus produtores no anúncio das rodagens de 'O Homem Que Mordeu o Cão: o Filme', que começa a ser rodado em setembro próximo, sem mais percalços.
Nuno Markl escreveu no seu perfil de Instagram o quão era importante para si estar presente "no anúncio do projeto mais pessoal e importante da minha vida (depois deste que estou a atravessar agora). Estou KO no meu quarto, mas feliz por isto ir acontecer", assume. Tal como mostrou felicidade e emoção ao subir ao plateau e falar com os convidados, dando um cheirinho do que vai ser o seu filme, cujo AVC virou o guião de pernas para o ar. "Era para ser um filme que eu tinha pensado para os fãs. A ideia era pegar em oito ou nove histórias clássicas que as pessoas gostam e chamar atores incríveis para as interpretar e juntá-las todas como se fosse um daqueles filmes de antologia, tipo o 'New York Stories' (de 1989, realizado por Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Woody Allen)."
Só que o drama de saúde que viveu há seis meses e quase o matou mudou todo o seu conceito narrativo. "Há um dia em que estou na minha fisioterapia, aqui perto, no Hospital do Mar. Passo pela sala de atividades e está um grupo de dança senior a fazer uma coreografia incrível ao som de José Malhoa. Olho para as senhoras e penso: 'Qualquer uma destas senhoras de 80 anos me venceria numa corrida ou bastava darem-me um golpe de judo ou apenas dar-me um empurrão para eu cair'", ironiza, mas aproveitando para introduzir o novo tema do filme: "E pensei, o filme, na verdade, tem que ser sobre isto".
O AVC QUE MUDOU TUDO, ATÉ 'O HOMEM QUE MORDEU O CÃO'
"O filme começa porque na psicoterapia uma coisa que eu dizia ao meu psicoterapeuta era que as pessoas já só olhavam para mim como 'O homem que mordeu o cão'. Mas eu tenho mais histórias para contar. Quero fazer mais coisas, quero fazer filmes, contar histórias. Fazer coisas não necessariamente cómicas. E portanto o filme passou a ser sobre a minha história", avança, deixando um petisco à curiosidade dos espetadores sobre o que aí poderá vir: "A primeira coisa que se vê no filme é o meu AVC, material cómico da primeira. Mas vai ser cómico, asseguro-vos. E depois, a partir daí as histórias d'O Homem que Mordeu o Cão' surgem na minha mente e são elas que vão reconstruindo não só a minha mente e o meu corpo, mas também a minha vontade de voltar à rádio para as fazer".
O também coapresentador do popular programa 'TaskMaster', dos sábados à noite na RTP1, acredita que em setembro já estará "mais rijo para começar a filmar", mas não tão rijo que o faça perder a naturalidade do momento dramático que vive. "Também não convém estar totalmente rijo que é para me poder interpretar a mim próprio neste estado, mas a coisa está a correr bem. Vai ser um filme muito catártico, um filme que tem um elenco incrível e desejem-me sorte para tudo", pede, revelando estar "nervoso" perante a plateia: "Esta é a primeira vez, em seis meses, que estou perante vós. Normalmente consigo esticar o braço ao longo do meu corpo, mas estão tão nervoso que agora não consigo... A perna também já está um bocado melhor. Há três meses nada disto mexia, tem sido uma luta louca".