Zé Manel, o vocalista dos Fingertips, foi o convidado de Tânia Ribas de Oliveira no seu programa 'Olhos nos Olhos', da RTP Play.
Num excerto divulgado nas redes sociais, o músico, de 38 anos, surge em lágrimas a contar como, há apenas dois anos, descobriu que sofre de várias perturbações do foro mental, depois de ter tido uma depressão profunda.
"Aos 36 anos eu descobri que sou autista, que tenho superdotação, que tenho PHDA (Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção), que tenho um processamento de palavras gestáltico, que sou um polímata... descobri uma série de nomes em torno de quem é ser eu e viver na minha pele", começou por dizer.
"Eu sempre me senti diferente. Não melhor, não pior, mas efetivamente diferente. E talvez por isso o caminho tenha sido tão solitário. Mas de repente, depois de saber isto, eu percebi que não estou sozinho e que há um exército de pessoas como eu, que sentem como eu, que processam como eu. Que têm as mesmas carências ao nível de descanso dos estímulos, da interação social, como eu", continuou.
De seguida, o cantor recordou o pai, que morreu em 2016 aos 55 anos de idade.
"Todas estas condições são hereditárias, e portanto, perceber que o meu pai viveu uma vida inteira sendo autista, sem noção do que isso é, sem noção de um diagnóstico, e rever toda a conduta dele, e todos os acessos de raiva dele, quando não conseguia lidar com muito barulho, ou com muita luz, ou quando qualquer coisinha era um gatilho que criava uma explosão imensa, fez-me olhar para ele com muito mais amor, com muito mais sentido de perdão e com entendimento, porque ele deve ter sofrido tanto. E nós sofremos tanto quando não nos entendemos", afirmou ainda, visivelmente emocionado.