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Homenagem

O hino do Benfica, o discurso das filhas e uma profunda emoção. Portugal despede-se de António Lobo Antunes

A missa de corpo presente decorreu na igreja dos Jerónimos e o escritor seguiu depois para o cemitério de Benfica.
07 de março de 2026 às 17:05
O hino do Benfica, o discurso das filhas e uma profunda emoção. Portugal despede-se de António Lobo Antunes
Cerimónias fúnebres de António Lobo Antunes em Lisboa
Cerimónias fúnebres de António Lobo Antunes em Lisboa
Cerimónias fúnebres de António Lobo Antunes em Lisboa
Cerimónias fúnebres de António Lobo Antunes em Lisboa

O último adeus público ao escritor António Lobo Antunes aconteceu ao som do hino do Benfica, o seu clube desde criança, e uma leitura do soneto "Na Mão de Deus", de Antero de Quental.

António Lobo Antunes morreu na passada quinta-feira, aos 83, tendo sido velado no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, esta sexta-feira e durante a manhã de sábado. Na cerimónia fúnebre que decorreu na Igreja de Santa Maria de Belém, ouviram-se discursos feitos pela família mais próxima de Lobo Antunes entre eles as três filhas, um dos irmãos e dois netos. 

A pedido de Lobo Antunes, a cerimónia terminou com o soneto “Na Mão de Deus”, de Antero de Quental, um dos poetas mais queridos do autor de Explicação dos pássaros. Enquanto o caixão era transportado para fora da igreja ouviu-se o hino do Benfica. 

Num discurso que encerrou a missa de corpo presente de António Lobo Antunes, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou ainda António Lobo Antunes "um símbolo mais" da identidade de um Portugal aberto, fraterno e universal, onde as caravelas são mais do "futuro a viver" do que do passado.

"Para esse António Lobo Antunes, o futuro é estarmos aqui hoje, nos Jerónimos, com Camões, para agradecermos ao criador das palavras, ao romancista-cronista, ao confidente de cada qual, ao memorialista de uma história que é nova demais para envelhecer, ter sido o génio da sua redescoberta de Portugal, um símbolo mais da nossa identidade pátria", afirmou. Uma pátria, precisou Marcelo Rebelo de Sousa, "aberta, fraterna e universal, onde as caravelas são de um futuro a viver ainda mais do que de um passado a aprender".

"Portugal pode ser diferente hoje, e melhor, e maior, porque teve um António Lobo Antunes que soube e sabia sonhar esse futuro. Soube e sabia anunciar a urgência de um antecipar. Portugal nunca o esquecerá", concluiu.

O funeral seguiu depois para o cemitério de Benfica.

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