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"É a mais poderosa e internacional das vozes portuguesas, mas também um exemplo do modo como, por vezes, tratamos os nossos melhores. Dulce Pontes é sublime. Quando a sua voz se abre o mundo fica em suspenso", começa assim o 'Postal do Dia' de Luís Osório sobre a conhecida artista que há muito optou por se retirar do centro do mediatismo. Faz os seus espetáculos, dentro e fora do país, e regressa para o sossego da sua casa.
O escritor e jornalista prossegue sobre Dulce Pontes: "Quase não dá entrevistas, nunca aparece em festas ou se deixa fotografar, publicita-se pouco, vive no silêncio que, neste tempo, se confunde com o mais hediondo dos sepulcros." E realça: "Colaborou com Ennio Morricone, cantou com José Carreras ou Andrea Bocelli, foi acompanhada pela Orquestra Filarmónica de Londres, mas há pretensiosos de berço que a consideram pirosa. Um bocadinho como Joana Vasconcelos que, alguma elite lisboeta, define como comercial."
"Dulce é uma paixão de Caetano Veloso. Cesária Évora considerava-a divina. E Marisa Monte comoveu-se quando com ela partilhou o palco, só que Dulce é um bicho do mato. Não diz que está viva. Não grita por atenção. Isola-se no seu buraco de paz de onde apenas sai para espetáculos, ensaios ou gravações longe das vistas", escreve Osório
E prossegue dando algumas informações sobre aquela que "não pertence a capelas e capelinhas". "Nasceu no Montijo e é da terra, continua a sê-lo sem complexos. Foi por isso que se trancou numa pequena aldeia de Bragança, com animais e sem poluição, amigos ocasionais ou berloques que a pudessem desviar. Há um tempo chegaram a ser publicados textos que questionavam que ainda existisse – como se fosse impossível alguém viver sem precisar de aparecer nos lugares do sucesso."
Termina este 'Postal do Dia': "Tem dois filhos, ao que sei. É simpática, juram-me. Mas se não fosse, seria indiferente. Dulce Ponte é um espanto. Única, avassaladora e resistente ao que o tempo pede. A minha admiração."