Luís Osório voltou a usar o espaço do seu habitual ‘Postal do Dia’, na Antena 1, para destacar uma figura bem conhecida do grande público. Desta vez, o cronista centrou atenções em Sónia Araújo, traçando um retrato marcado pela admiração e por uma análise pouco óbvia sobre a presença da comunicadora na televisão portuguesa.
Desta feita, Luís Osório escolheu a apresentadora da 'Praça da Alegria', da RTP, para sublinhar uma ideia que considera paradoxal: apesar de ser “das mais consistentes apresentadoras de televisão em Portugal”, é simultaneamente “das que menos se sabe”.
Na crónica, Osório defende que o nome de Sónia surge frequentemente associado a parceiros de ecrã, ficando, muitas vezes, para segundo plano na cobertura mediática. “Quando dela falamos vem sempre agregada às duplas com quem trabalhou”, observa o também jornalista, enumerando casos em que a atenção pública recaiu mais sobre os colegas do que sobre ela própria, de Manuel Luís Goucha a Jorge Gabriel. Ainda assim, sublinha que a apresentadora aparenta lidar com essa realidade com total tranquilidade.
Para Luís Osório, há uma característica que atravessa mais de três décadas de carreira: a sensação de permanência. “Continua como se nada fosse”, escreve, acrescentando que essa expressão pode ser entendida como uma espécie de suspensão do tempo. Aos olhos do jornalista, a comunicadora mantém a frescura e a energia dos primeiros anos em televisão.
Instalada nos estúdios da RTP Porto, em Vila Nova de Gaia, de onde a emissão das manhãs da RTP1 chega diariamente a casa dos portugueses, Sónia Araújo é descrita como alguém que preserva “o mesmo sorriso e simpatia” e uma postura entusiasta perante qualquer desafio. A conclusão de Osório é categórica: “Sónia é um caso único”.
No elogio há também referência à forma como a apresentadora conseguiu atravessar décadas de exposição pública sem se deixar envolver em polémicas. “Aparece em nossas casas há mais de 30 anos” e, nesse período, “conseguiu resistir não apenas ao tempo, mas a qualquer tipo de polémica”, destaca.
O cronista acrescenta ainda pormenores sobre o que lhe dizem acerca da sua personalidade: capacidade de improviso acima da média, talento para a dança e uma habilidade particular para conduzir o rumo da própria vida sem o anunciar. Vai mais longe e admite a convicção de que poderá ter sido a própria a recusar voos mais altos no entretenimento nocturno, por fidelidade a uma rotina estável e à cidade do Porto, à qual se mantém profundamente ligada.
A dimensão familiar surge como peça central desse equilíbrio. Mãe de três filhos, Carolina, Francisco e Tomás, Sónia Araújo terá sempre colocado a prioridade no crescimento da família. Este 'Postal do Dia' encerra com um agradecimento emotivo e uma frase que sintetiza o tom do retrato: “Obrigado, Sónia. A estrela que mais se apagou para que outros brilhassem. Não é para todos e para todas. Não é mesmo…”