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Memória

"Poucos seriam capazes de o fazer": Luís Osório recorda antigo ministro que morreu de forma trágica há cinco anos

Jorge Coelho morreu há mais de cinco anos, mas continua presente na memória de quem com ele se cruzou.
"Poucos seriam capazes de o fazer": Luís Osório recorda antigo ministro que morreu há cinco anos
Jorge Coelho, político, PS
Luís Osório
Jorge Coelho, político, PS
Luís Osório

Todos os dias, o jornalista e escritor Luís Osório recorre às redes sociais para escrever o 'Postal do dia'. Esta sexta-feira, 7 de agosto, dedicou algumas palavras a Jorge Coelho, antigo ministro e figura de destaque da política portuguesa, que morreu em abril de 2021.

"1. Jorge Coelho teria feito 72 anos por estes dias. E o tempo é implacável: já passaram mais de cinco anos desde o dia em que entardeci com a notícia", começou por escrever.

Na publicação, Luís Osório destacou três características que, na sua opinião, diferenciam Jorge Coelho, recordando episódios que considera reveladores da personalidade do antigo político.

"2. Quero falar-te de três coisas que o distinguem. Em primeiro lugar, o despojamento e a coragem. Na queda da ponte de Entre-os-Rios, a 4 de março de 2001, era ministro com a tutela das obras públicas. E foi ele, horas depois da tragédia ter acontecido, a demitir-se de ministro porque 'a culpa não podia morrer solteira'. Assumiu a responsabilidade política e administrativa pelo acidente e pela morte daquelas 59 pessoas. Um dia perguntei-lhe, lembro-me. E Jorge disse-me que não conseguiria dormir se não o fizesse. Poucos seriam capazes de o fazer. Ele fê-lo", disse.

O escritor recordou ainda a forma como Jorge Coelho lidava com as suas origens, apesar do percurso que construiu na política e nos negócios.

"3. Em segundo lugar, por nunca ter atraiçoado as suas raízes. Subiu na vida, chegou ao topo na política, nos negócios ou na influência que exercia com a sua intuitiva inteligência e desarmante sentido de humor, mas nunca virou as costas ao lugar onde nasceu. Era beirão e amava Mangualde. Num tempo em que tantos renegam as suas origens, Jorge não o fez. Poucos não teriam esquecido o lugar onde nasceram. Ele não o fez", afirmou.

Por fim, Luís Osório destacou a simpatia do antigo político e recordou um episódio que viveu quando tinha apenas 18 anos.

"4. Em terceiro lugar, a sua simpatia. Jorge Coelho era um homem simpático para todas as pessoas com quem estava. Vi-o a ser simpático para uma senhora que limpava o gabinete – a quem perguntou pela escola do filho. Vi-o a ser simpático para os senhores do restaurante, para adversários políticos, para quem o abordava na rua. Vi-o a ser simpático para mim quando eu tinha 18 anos e o abordei para uma entrevista num jornal no liceu. “Como é que se chama?” “Luís”. “E o meu caro amigo o que manda?” E eu disse-lhe o que mandava. E ele perguntou-me se poderia ser na semana seguinte, no parlamento. Fui ter com ele na semana seguinte. E tratou-me como se eu fosse importante. Poucos o teriam feito, mas ele fê-lo", rematou.

A terminar a homenagem, Luís Osório deixou ainda uma mensagem de despedida, enaltecendo a forma como Jorge Coelho viveu e se relacionou com os outros.

"Jorge Coelho morreu em abril de 2021. Mas foi um homem que viveu com os outros. Foi um homem que valeu a pena. Teria feito 72 anos por estes dias", concluiu.

Se fosse vivo, Jorge Coelho teria completado 72 anos no passado dia 17 de julho.

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