Jorge Jesus conseguiu, aos 71 anos, concretizar um sonho que é o corolário da sua carreira como treinador: Ser o novo Selecionador Nacional. Vai ficar à frente da equipa das Quinas por quatro anos e será ele quem convocará os jogadores que nos irão representar no Mundial de 2030, que será jogado em território de Espanha, Portugal e Marrocos.
Antes mesmo de ser apresentado à plateia do auditório da cidade do Futebol, em Oeiras, JJ, como é carinhosamente conhecido, deixou uma mensagem na sua conta oficial na rede social Instagram, onde tem 3,2 milhões de seguidores: "Tenho orgulho em ser português e é para mim uma honra assumir o papel de selecionador nacional. Uma só voz, um só coração. Portugal!"
Com um microfone à frente o discurso mudou, e até se soltou, a partir do momento em que começou a conferência de imprensa e chegaram as perguntas dos jornalistas. Prometeu que a equipa irá jogar o dobro, prometeu títulos, num discurso de crítica sub-reptícia ao seu antecessor, Roberto Martínez. Sem qualquer modéstia, apresentou-se como sendo o mister que torna vencedoras todas as equipas em que toca, acredita que a Seleção não será a excepção.
Enfatizou várias vezes o slogan projetado nas suas costas, "Viemos para Vencer", falou sem tabus "do Cris", referindo-se a Cristiano Ronaldo, com quem diz ter adorado trabalhar no Al-Nassr, na Arábia Saudita, e sobre ele diz que terá "liberdade para escolher quando vai deixar de representar o país", acrescentando que "nenhum jogador jovem ficará de fora por causa da idade".
BOTA ABAIXO, É TUDO NOVO. ROBERTO MARTÍNEZ ESQUECIDO
Embalado pelo discurso do presidente da Federação Portuguesa de Futebol Pedro Proença, Jorge Jesus não teve qualquer palavra de agradecimento ao seu antecessor, bem pelo contrário. Garante que agora, será "tudo novo". Começará uma "nova era", uma "nova fase", uma "nova etapa", um "novo tempo" com um "novo selecionador" e com a "ambição do tamanho do nosso talento", tudo em prol de "um novo padrão de exigência".
Jorge Jesus vestiu o fato da ambição pedida por Pedro Proença e afirma querer "valorizar o espetáculo" com base no seu histórico pessoal. "Viemos para ganhar. Estamos convencidos de que, quando chegamos a qualquer lado, vencemos", garante, reforçando que sente "um grande orgulho de ser português" e assumindo-se como "um treinador de 12 milhões de pessoas" com uma missão: "Conquistar títulos na Seleção."
MÃOZINHAS PARA O FERRARI
Treinador de futebol desde os 34 anos, quando começou a definir as táticas no Amora, em 1989, Jorge Jesus chega ao topo da sua carreira e brinca com a situação, garantindo ter unhas para a missão. "Para conduzir um Ferrari tem de ter andamento para ele", disse, assegurando que não se vai aborrecer por não treinar jogadores todos os dias: "Preparei-me desportivamente para poder ser selecionador. Nada para mim vai ser muito diferente. Vou-me adaptando às circunstâncias."