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Quem é Ana Abrunhosa, o rosto da resistência de Coimbra em dias de medo e incerteza

“Tenho muito medo da segurança.” A frase de Ana Abrunhosa ecoou numa madrugada marcada por cheias, evacuações e o colapso de um viaduto na A1. Mas quem é a mulher que está a liderar Coimbra num dos momentos mais críticos da sua história recente?
Por Hélder Ramalho | 12 de fevereiro de 2026 às 10:23
Quem é Ana Abrulhosa, o rosto da resistência de Coimbra em dias de medo e incerteza
Ana Abrunhosa presidente da Câmara Municipal de Coimbra
Ana Abrunhosa lidera Coimbra após cheias e colapso de viaduto na A1
Ana Abrulhosa lidera Coimbra em cheias, evacuações e colapso na A1
Ana Abrunhosa lidera Coimbra num momento crítico
Ana Abrunhosa lidera Coimbra em momento crítico, após cheias e colapso na A1
Ana Abrunhosa presidente da Câmara Municipal de Coimbra
Ana Abrunhosa lidera Coimbra após cheias e colapso de viaduto na A1
Ana Abrulhosa lidera Coimbra em cheias, evacuações e colapso na A1
Ana Abrunhosa lidera Coimbra num momento crítico
Ana Abrunhosa lidera Coimbra em momento crítico, após cheias e colapso na A1

Num dos momentos mais críticos que Coimbra viveu nos últimos anos, é Ana Abrunhosa quem tem estado na linha da frente. A presidente da Câmara Municipal da Cidade dos Estudantes tem travado uma verdadeira batalha contra as consequências do mau tempo que assola a região, com chuvas intensas e cheias no Mondego a provocarem o rebentamento de um dique e a obrigarem à evacuação de milhares de pessoas.

O final do dia de quarta-feira, 11 de fevereiro, ficou marcado pelo colapso parcial do tabuleiro de um viaduto da A1, uma ocorrência que a autarca admite que receava. “Tenho muito medo da segurança. Há infraestruturas que temos de analisar”, afirmou na RTP, alertando que o problema não se esgota naquele ponto da autoestrada. “Coimbra e muitos municípios estão com problemas gravíssimos nas estradas, nas pontes. Podem não ter esta visibilidade, mas são igualmente graves”, sublinhou.

Segundo explicou, o dique cedeu por baixo da ponte, o que levou a Proteção Civil a encerrar imediatamente o trânsito na principal autoestrada que liga Lisboa e Porto. “A água foi escavando a terra e houve uma parte do tabuleiro que ficou sem sustentação e que ruiu”, relatou, descrevendo um cenário de elevada complexidade técnica e risco acrescido. Para a autarca, o sucedido confirma que o concelho enfrenta “uma situação grave” e exige máxima responsabilidade coletiva.

O apelo à população tem sido insistente. Horas antes da rutura no dique de Casais, cinco trabalhadores agrícolas recusaram abandonar a zona de risco e acabaram por ter de ser resgatados de helicóptero. “Os nossos avisos, os avisos da proteção civil, não são feitos de forma leviana”, frisou Ana Abrunhosa, reforçando a importância do cumprimento rigoroso das orientações das autoridades.

Economista de formação, nascida em Angola e criada na Beira Alta, vive em Coimbra desde os 18 anos. Licenciou-se, fez mestrado e doutoramento na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, onde iniciou a carreira académica em 1995, dedicando-se às áreas da inovação e do desenvolvimento regional. Ao longo do percurso, liderou projectos científicos, presidiu à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro e coordenou o processo de reconstrução das zonas afectadas pelos incêndios de outubro de 2017.

Em 2019, integrou o Governo como Ministra da Coesão Territorial, cargo que exerceu até abril de 2024. Foi depois eleita deputada por Coimbra, tendo presidido à Comissão Parlamentar de Saúde. Em 2025, regressou à política local como candidata à presidência da Câmara Municipal de Coimbra, liderando a coligação Avançar Coimbra (PS, Movimento Cidadãos por Coimbra, LIVRE e PAN), com a promessa de devolver protagonismo à cidade que considera sua.

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Imagens de drone mostram parte da A1 colapsada devido ao rebentamento do dique do Mondego

“Tal como muitos que hoje vivem em Coimbra, também eu vim para esta cidade aos 18 anos. Aqui estudei, aqui comprei casa, aqui construí a minha vida”, tem afirmado, evocando a ligação emocional à cidade onde é professora universitária e onde formou gerações de alunos que hoje ocupam lugares de destaque em Portugal e no estrangeiro.

Pelo caminho enfrentou uma polémica que envolveu o nome do marido, António Trigueiros de Aragão, num caso de Justiça. O sócio chinês do marido da então ministra da Coesão Territorial, na empresa Thermalvet, foi condenado por corrupção ativa no processo dos Vistos Gold em junho de 2020. António e o pai Diogo Trigueiros de Aragão detinham 80% do capital social da empresa, e os restantes 20% pertenciam a Zhu Xiadong.

Agora, perante a força das águas e a fragilidade das infraestruturas, é essa ligação que se traduz numa liderança sob pressão máxima. Entre reuniões de emergência, coordenação com a Proteção Civil e contactos com o Governo, Ana Abrunhosa enfrenta um dos maiores testes da sua vida política.

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