Houve um tempo em que Rita Blanco e João Canijo viveram uma bonita e intensa história de amor. Mas quando o romance chegou ao fim, a ligação que ambos tinham construído através do cinema não terminou. Continuaram a trabalhar juntos e esta dupla atriz-realizador manteve-se ao longo dos anos.
Foi uma relação que ultrapassou o lado pessoal e acabou por ter um peso decisivo no percurso artístico dos dois. Agora, meses depois da morte do realizador, Rita Blanco falou sobre essa ligação e sobre o lugar que João Canijo ocupa na sua vida. “Foi a pessoa mais marcante da minha vida”, confessou a atriz, na ‘Grande Entrevista’, da RTP. E explicou a razão: “Foi, até porque nos construímos juntos no trabalho e na maneira de olhar para o mundo.”
“Ele ensinou-me imensas coisas e eu participei em imensas coisas que acho que também o ajudaram. Nós fomos uma dupla imbatível”, afirmou.
É uma relação que a atriz encara como um privilégio e que, apesar da morte de Canijo, pretende guardar consigo. “E isso é um privilégio e, portanto, vou guardá-lo sempre como tendo sido uma pessoa muito privilegiada por ter tido este tipo de relação. E relação de trabalho, artisticamente.”
A ausência do realizador levou-a ainda a pensar nas pessoas que permanecem ao seu lado e nas diferentes formas que uma relação especial pode assumir. Foi então que se lembrou de Rúben Alves. “Quando o João se foi embora, quando o João morreu, eu fiquei a pensar: ‘Não, mas há outra pessoa com quem eu tenho uma relação muito especial, diferente, que é o Rúben [Alves]’”, contou.
João Canijo morreu a 29 de janeiro, deixando para trás uma obra marcada também pelas colaborações com Rita Blanco. Mas, para a atriz, fica sobretudo uma história que não terminou quando acabou o amor.