Velório da escritora realizou-se esta sexta-feira, dia 12, na Capela do Rato. Marcelo Rebelo de Sousa esteve presente, mas o momento foi, acima de tudo, familiar.
"Foram elas quem tornou possível eu continuar a viver depois de perder tudo", escreveu Clara Pinto Correia sobre as três irmãs, que ficaram ao seu lado, mesmo depois de perder quase tudo. Apesar da solidão em que vivia, na última parte da sua vida, foi o amor de Margarida, Rosário e Teresa que tantas vezes a salvou.
Foi jornalista, escritora, bióloga e investigadora científica, mas no final da vida atormentava-a que isso tudo se tivesse eclipsado em prol de dois momentos decisivos: o caso de plágio e a exposição em que se deixou fotografar pelo então marido durante o orgasmo. Caída em desgraça, exilou-se no Alentejo, onde tentava libertar-se dos seus demónios. "Se eu não fosse capaz de rir na face das minhas desgraças, já tinha enlouquecido há muito tempo", desabafou sobre o que lhe aconteceu, assumindo, no entanto, que o peso de tudo a assoberbava. Foi casada três vezes, mas nenhum dos romances vingou. Salvou-se a amizade com o segundo marido, com quem adotaria os seus dois rapazes, o seu último reduto de amor numa vida de curvas e contracurvas.